Buerarema: Mesmo com policiamento reforçado, clima continua tenso na cidade

Disputa entre produtores rurais e indígenas tupinambás está longe de chegar a um fim.

O clima de tensão continua na cidade de Buerarema, no sul baiano, com a disputa entre produtores rurais e indígenas tupinambás longe de chegar a um fim. “O clima é o mesmo de ontem, de toda a semana, de conflito iminente”, diz o plantonista da Polícia Federal de Ilhéus Vinícius de Araújo.

A cidade segue com policiamento reforçado com policiais militares da Cipe Cacaueira, todo o efetivo da PF de Ilhéus e policiais da Força Nacional, que chegaram ao local no último dia 18.

“Já tem novos incêndios. São ocorrências que a gente registra todo dia, geralmente em sede de fazendas”, conta Araújo.

Os produtores rurais que foram expulsos de fazendas estão acampados em frente à prefeitura da cidade porque dizem não ter para onde ir. Há boatos de que índios estariam planejando invadir a sede do poder municipal, mas a PF não confirma essa informação e diz que o policiamento está reforçado em todos os pontos importantes do município para evitar novos ataques.

Os índios intensificaram as invasões para buscar pressionar o governo federal na questão da demarcação de uma área indígena na região – são 47,3 mil hectares entre as cidades de Buerarema, Ilhéus e Una, local com mais de 500 fazendas.

 

No sábado, o confronto explodiu com diversos ataques a bens públicos e privados e no incêndio de 15 residências. O policiamento utilizou gás lacrimogênio e bombas de efeito moral com o objetivo de conter os atos de vandalismo.

Conflitos foram retomados na manhã deste sábado (24) (Foto: Macuco News)
Segundo a Polícia Civil, o estopim da crise deste sábado foi a chegada do suposto irmão do cacique da tribo, que chegou armado em Buerarema a fim de pegar combustível e teria insultado moradores da região. A provocação foi o suficiente para que a tensão na cidade alcançasse níveis jamais vistos antes.

“Buerarema está um caos, e o sentimento de revolta aqui é tão grande que várias casas comerciais já foram invadidas e depredadas, assim como bancos, a Cesta do Povo e os Correios da cidade”, disse um morador do local, Cláudio da Conceição. Em entrevista para o CORREIO, o autônomo de 46 anos relatou os acontecimentos deste sábado.

“A população está concentrada em frente ao prédio da prefeitura, como forma de protesto, porque a coisa está feia. A Guarda Nacional, ao invés de nos proteger, está batendo no povo. A tensão é tão grande que está tudo fechado na cidade e agora [às 19h15] acabou de chegar um ônibus cheio da Polícia Militar de Itabuna”, disse Cláudio.

População revoltada incendiou casas de indígenas da etnia tupinambá (Foto: Macuco News)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Correio

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