Batizados na Trindade

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28.19)

Esse texto não é desconhecido. Se você é cristão já ouviu um bocado a respeito. Eu ouço sobre ele desde criança. A partir dele me ensinaram sobre o dever de evangelizar, de falar de Jesus para outros. Lembro-me de, ainda criança, ficar preocupado em ajudar meus amigos a conhecerem e se comprometerem com Jesus. Aprendi com os adultos que cada pessoa precisava aceitar Jesus e também aprendi diversos argumentos e formas de leva-las a essa decisão.

Não poucas vezes me sentia culpado. Sentia-me sempre fazendo menos do que deveria quanto à evangelização. Algumas vezes perdia completamente a naturalidade nas minhas relações com pessoas que eu queria evangelizar. Eu precisava mostrar a elas que eu era diferente para então poder evangelizar. E o “diferente” que eu entendia que deveria ser era um problema para mim. Pois em muitas questões eu era igual a cada uma delas. Mas acreditava que minhas fraquezas eram um impedimento para que outros cressem em Jesus por meio da minha vida.

Não foi há muito tempo atrás que minha compreensão mudou. Ainda entendo que devo partilhar minha fé e ajudar pessoas para que creiam em Jesus. Mas houve uma mudança bastante significativa. Uma mudança no modo como eu entendi a ordem de Jesus para fazermos discípulos batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Eu pensava que o batizar era o sinal de que a pessoa havia se tornado seguidora de Jesus. O rito do batismo era tudo que eu via neste texto. Mas depois entendi que havia muito mais e que o rito em si nem era o mais importante. Batizar significa imergir, mergulhar. É preciso que sejamos batizados para sermos discípulos de Jesus. Mas não me refiro ao rito do batismo, mas ao mergulho na Trindade. Somos feitos discípulos na medida em que somos mergulhados no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Na medida em que vivemos cercados por todos os lados com a presença divina. Envolvido no amor do Pai, na graça do Filho e na direção do Espírito Santo. Na medida em que somos levados à comunhão com Deus, unicamente por amor e graça. Sem mérito algum. Não porque somos bons o bastante ou diferentes, mas porque somos amados.

Entendi então que era disso que eu precisava para ser discípulo e para ajudar outros a serem discípulos. Eu jamais seria um discípulo por mim mesmo. Eu precisaria aceitar toda a graça e misericórdia a mim oferecidas. Não tinha a ver com ser treinado nas Escrituras, nas habilidades religiosas ou na capacidade de ter certo desempenho em minha espiritualidade. Mas de viver na companhia de Deus. É a comunhão com Deus que nos faz discípulos.

E assim, minhas falhas, imperfeições, o fato de ser um pecador em lugar de serem um problema, um impedimento, tornaram-se um reforço para a mensagem do Evangelho. Eu poderia dizer como Paulo: Jesus veio buscar e salvar os pecadores e a prova sou eu; Ele fez isso por mim, que sou o principal. E então esse texto deixou de ser um peso, uma preocupação. E passou a ser uma inspiração. Sumiu a culpa e veio a alegria. O peso foi embora e a alegria encontrou lugar em mim. Ah, como eu gostaria de ter aprendido isso antes. Muito, muito tempo antes!

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