Banco de Sangue de Cordão Umbilical chega a todas as regiões do país

{jcomments on}Unidade da Amazônia, a nona do país, aumenta chance de transplante e diversifica perfil genético da Rede BrasilCord

A partir de hoje, todas as regiões do Brasil passam a ter uma unidade da Rede de Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical (Rede BrasilCord). A região Norte recebe nesta quinta-feira (24), em Belém (PA), o nono de 13 bancos que estão sendo espalhados pelo país. A ampliação da rede no país tem o principal objetivo de aumentar as chances de realização de transplantes de medula óssea. O aumento de doadores de medula óssea e a iniciativa do BrasilCord promoveram uma reversão no setor. Se em 2000, apenas 10% dos transplantes eram realizados com doadores nacionais, hoje, esse número passou para 64%. O número de inscritos no Registro nacional der Doadores de Medula Óssea (Redome) saltou de 12 mil para 1,6 milhão, no período.

O investimento médio no banco de sangue de Belém foi de R$ 3,5 milhões e a nova unidade tem capacidade para até 3.600 bolsas de sangue de cordão. Como os demais, o novo banco foi viabilizado com R$ 31,5 milhões obtidos por convênio com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2008. A Fundação do Câncer administra financeiramente o projeto, que é implementado em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A Rede BrasilCord hoje é abastecida com material genético das populações das mais diversas regiões do país e a meta é atingir, até 2011, 13 bancos no país. “A intensa miscigenação étnica da população brasileira dificulta a localização nos registros de doadores voluntários existentes”, afirma Luís Fernando Bouzas, diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do INCA e coordenador da Rede BrasilCord. “Outro benefício, é levar desenvolvimento tecnológico, servindo de base para novos centros realizarem transplantes/, afirma Bouzas. Atualmente, outros oito bancos estão em funcionamento: quatro em São Paulo, um no Rio de Janeiro, um no Distrito Federal, um em Santa Catarina e um no Ceará.

A inovação tecnológica na região norte também é ressaltada por Luiz Antonio Santini, diretor-geral do INCA. “É um incremento para a infraestrutura local em pesquisa, além de enriquecer a rede com informações genéticas características dessa região do país”, observa Santini.

Criada pelo Ministério da Saúde em 2004, a Rede BrasilCord prevê ainda a inauguração de bancos no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e em Minas Gerais. A expectativa é armazenar, nos próximos anos, 65mil unidades de sangue de cordões umbilicais – quantidade considerada ideal para a demanda de transplantes no país, somada à colaboração dos doadores voluntários de medula. “A expansão da Rede BrasilCord amplia a capacidade de se encontrar doadores não-aparentados para transplantes”, diz o superintendente da Fundação do Câncer, Jorge Alexandre dos Santos Cruz.

TRANSPLANTES – A evolução do número de doadores voluntários tem sido crescente nos últimos anos. Em 2000, eram 12 mil os inscritos. Naquele ano, dos transplantes de medula realizados, apenas 10% dos doadores haviam sido brasileiros localizados no Redome. Agora há 1,6 milhão inscritos e o percentual passou para 70%. O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (5 milhões de doadores) e da Alemanha (3 milhões de doadores).

Os bancos de sangue de cordão umbilical representam uma grande alternativa para as pessoas que necessitam de transplante de medula. Isso porque o sangue de cordão é cada vez mais utilizado como fonte para o transplante de medula.

O crescimento de 240% (2003-2009) no número de transplantes não-aparentados está diretamente associado ao crescimento do Registro nacional der Doadores de Medula Óssea (Redome), já que a busca para este tipo de transplante é feita prioritariamente no registro nacional, podendo ser feita no exterior também. As chances de se encontrar um doador compatível fora da família (não-aparentado) é de uma em cem mil.

A quantidade de doadores em potencial cresceu de forma expressiva após investimentos e campanhas de sensibilização do Ministério da Saúde e outros órgãos vinculados, como o Inca (Instituto Nacional do Câncer), responsável pelo Redome. Estas campanhas mobilizaram hemocentros, laboratórios, ONGs, instituições públicas e privadas e a sociedade em geral.

Indicados no tratamento de leucemias (câncer), linfomas (conjunto de cânceres do sistema linfático) e alguns tipos de anemias graves, os transplantes de medula óssea são realizados no Brasil desde 1979. O país – nos últimos sete anos (2003-2009) – ampliou o número de transplantes de medula óssea em 57,51%, incluindo as três modalidades: autólogos (células retiradas do próprio paciente), aparentados (células retiradas de pessoas da mesma família) e não-aparentados (células doadas por pessoas fora da família).

Os transplantes de medula óssea não-aparentados, ou seja, aqueles que buscam doadores compatíveis no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntário de Medula Óssea) cresceram 274% no Brasil entre 2003 e 2009, subindo de 35 para 131. No mesmo período, o número de transplantes autólogos aumentou em 123,67%, passando de 397 (2003) para 888 (2009) e o de transplantes entre parentes, diminuiu 1,5%, foi de 540 (2003) para 540. (veja gráfico). Em relação ao total de transplantes – órgãos, células e tecidos – realizados em 2009 (20.253) os transplantes de medula óssea representaram 7,55%.

Desde a criação do Redome, em 2000, o SUS já investiu R$ 673 milhões na identificação de doadores para o transplante de medula óssea. Os gastos cresceram 4.308,51% de 2001 a 2009.

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