Bahia: Conta de luz fica mais cara a partir de hoje; veja dicas para economizar

Aumento para consumidores residenciais na Bahia será de 14,82%. Aneel autorizou o reajuste nas tarifas em outros seis estados

Esquecer a luz acesa, dormir com televisão ligada, demorar muito no banho com água quente e deixar a porta do quarto aberta com o ar-condicionado ligado. Esses são apenas alguns hábitos que devem ser evitados a partir de hoje. Pelo menos para os consumidores atendidos pela Coelba que não pretendem ser surpreendidos com o valor da conta de luz do próximo mês.

Isso porque a energia elétrica ficará 14,82% mais cara para consumidores residenciais. Já para empresas, o reajuste será de 15% para consumidores de baixa tensão e 16,04% para os de alta tensão. O aumento, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), atinge 5,3 milhões de unidades consumidoras localizadas em 415 cidades na Bahia – apenas Jandaíra e Rio Real ficaram fora, porque são abastecidas pela companhia de Sergipe.

Com um bebê de 11 meses, o relações públicas Jimmi Ribeiro está ansioso para saber como ficará a sua conta de energia com o aumento que começa a valer hoje. Ele conta que, por causa do calor que tem feito em Salvador, passa mais de 10 horas com o ar-condicionado ligado todos os dias. “Meu filho é tão calorento que, se não dormir no ar, acorda suando e ainda fica cheio de brotoeja”, diz ele, que desembolsou R$ 244 de energia este mês.

Para reduzir o valor, o comunicador, que também atua como militar, revela que já adotou algumas práticas, como só esterilizar as mamadeiras no micro-ondas duas vezes ao dia e banho frio na lavanderia. “Ele adora e meu bolso agradece”.

O engenheiro eletricista Paulo Roberto Bastos, que é professor da Escola Politécnica da Ufba, explica que o consumo de energia depende de dois fatores: potência dos equipamentos e o tempo de utilização dos mesmos. Ou seja, mesmo aqueles aparelhos que consomem muito, se não utilizados por muito tempo, não representam um impacto grande na conta de luz. “O micro-ondas, por exemplo, mesmo com uma potência média de 1 quilowatt (kW), dificilmente fica ligado por mais de cinco minutos. Nesse caso, ele não é um vilão”.

Chuveiro

Segundo o professor, o chuveiro elétrico merece uma atenção especial dos consumidores que querem economizar na conta de luz. De acordo com dados da Coelba, é ele o responsável por cerca de 25% do consumo de uma residência.

O engenheiro calcula que um banho quente com dez minutos de duração por dia representa aproximadamente 30 kWh (quilowatts-hora) no fim do mês. “Esse consumo é igual ao de uma geladeira de duas portas, por exemplo. O banho frio, além de ser mais saudável, segundo os dermatologistas, é muito mais econômico”, compara o especialista.

A geladeira e o ar- condicionado não ficam atrás. Somente o refrigerador, segundo estimativa da Coelba, é responsável por 30% do consumo total de energia de uma casa. “Os dois equipamentos têm um termostato que controla a temperatura do ambiente. Quanto mais frio, maior será o consumo”, diz Bastos.

O professor salienta que em ambos os casos nada de deixar a porta aberta, já que essa prática acaba consumindo mais energia. “É como se o frio ‘escapasse’. Dessa forma, o motor precisa trabalhar mais para baixar a temperatura novamente”.

O ferro elétrico, segundo dados da Coelba, é responsável por 5% a 7% do valor da conta de luz de uma residência. “Quem quer economizar deve evitar ficar ligando esses aparelhos toda hora. No caso do ferro, o ideal é acumular a maior quantidade possível de roupas, para passá-las de uma só vez. A mesma lógica vale para a chapinha”, orienta o engenheiro eletricista.

A economia na conta de luz pode começar muito antes da instalação dos aparelhos. A dica básica dos engenheiros é optar por equipamentos mais eficientes, de preferência, com o Selo Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica). Por meio de letras do alfabeto, que vão de A a G, ele informa ao cliente a eficiência energética do produto, onde a letra A é a mais eficiente e a G é a menos.

Aneel autorizou reajuste nas tarifas em outros seis estados

Além da Bahia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concedeu reajuste a outras seis companhias elétricas. No último dia 15, além da Bahia, teve reajuste para a Sulgipe, em Sergipe, que reajustará os preços em 11,83% para residências, 12,17% para consumidores empresariais de baixa tensão e 11,31% para os de alta tensão.

No Rio Grande do Norte, os aumentos serão de 11,01%, 11,4% e 15,78%, respectivamente. No Ceará: 16,55%, 17,02% e 16,16% . Já no último dia 7, a Aneel também reajustou as tarifas de outras distribuidoras: Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat), Companhia Paulista Força e Luz (CPFL Paulista) e Cemig Distribuidora (MG).

O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, explicou que o custo com a compra da energia pelas distribuidoras teve impacto de cerca de sete ou oito pontos percentuais nos reajustes tarifários aprovados pelo órgão regulador neste mês. De acordo com Rufino, além do custo maior com o uso de termelétricas, por causa do baixo nível dos reservatórios, as distribuidoras tiveram mais gastos com a contratação de energia no mercado livre, que é mais cara.

O aumento na conta de luz no caso dos baianos será de 14,82% para os clientes residenciais atendidos pela Coelba. Apesar de já estar em vigor, o reajuste só será sentido integralmente pelo consumidores quando chegar a fatura do mês de maio.

O reajuste médio, de 15,35%, ficou abaixo do pedido pela distribuidora, que era de 18%. Em nota, a Coelba informou que o principal item de custo na composição desse aumento foi a compra de energia, que teve alta de 17%, além de despesas dos últimos 12 meses que precisaram ser cobertas.

A Coelba explica que o reajuste tarifário anual está previsto no contrato de concessão e não é apenas um mecanismo de correção monetária, mas, também, de ajuste de vários itens que não estão sob o controle das distribuidoras.

“Essa parcela é composta pela energia comprada para revenda, custos de transmissão e dos encargos setoriais, que em conjunto com impostos e tributos – ICMS, PIS/Pasep e Cofins – totaliza cerca de 70% do valor pago pelo consumidor na conta ”, diz a Coelba, em nota.

 

 

 

Fonte: Graciela Alvarez/G1

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