Bahia: Cerca de 400 médicos realizam manifestação

Sindicato diz não ser contra a contratação de profissionais estrangeiros.

Manifestação acontece também em Juazeiro, Conquista e Feira de Santana.

Médicos fizeram protesto em Salvador (Foto: Egi Santana / G1)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Médicos que atuam na Bahia realizaram uma manifestação na tarde desta quarta-feira (3), em Salvador. O grupo seguiu da praça do Campo Grande à Praça Castro Alves, no centro da cidade.

Entre as principais reinvdicações, a categoria pede que o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) seja aplicado aos médicos do exterior que deverão trabalhar no país.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos (Sindmed), Francisco Magalhães, “a grande questão desta manifestação não é pela vinda dos médicos estrangeiros, mas sim pela validação dos diplomas estrangeiros”.

Magalhães explicou que, quando os médicos brasileiros vão atuar fora do país, eles precisam passar por testes de aptidão, além do teste de fluência na língua estrangeira. De acordo com ele, “isso não será cobrado no Brasil”.

Médica do Programa de Saúde da Família (PSF) em Salvador e em Lauro de Freitas, na região metropolitana, Cristiane Sentelhas acredita que “a grande questão em jogo na medida são as condições que os médicos atualmene possuem para trabalhar”. Para ela, que é paulista, mas trabalha há 30 anos na Bahia, “se não for dada a condição, nem o estrangeiro nem o brasileiro terá condição de trabalhar em áreas remotas, como é um dos argumentos do governo”, pontuou.

Sara Mendes exerce medicina em Ilhéus (Foto: Egi Santana / G1)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre o trabalho nos interiores, a médica Sara Mendes, clínica geral em Ilhéus, no sul do estado, afirma que os médicos estão com disposição para trabalhar em quaisquer cidades. “Eu vou dar o exemplo de Ilhéus, onde trabalho. Você chega nos postos menores e falta de tudo, faltam medicamentos básicos, equipamentos, tudo, e o governo diz que está tudo bem, que trazer médicos irá resolver a questão? Eu acredito que não”, diz.

Segundo a médica, “é necessário que o médico que aqui trabalha tenha estímulo para trabalhar. E estímulo significa estruturar e dar condições. Eu não vou arriscar meu CRM [registro do conselho de medicina] em um lugar que não me dá estrutura. Imagine se eu estou sozinha em um posto de saúde e tenho que acompanhar um paciente em estado grave até outro hospital? Eu saio, deixo o posto descoberto e depois sou processada pela família de um segundo paciente que ficou sem apoio e chegou a morrer, por exemplo? Esta é a questao”, justifica.

Cirurgião geral e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo Jesuíno salienta que é necessário discutir o tema de modo aprofundado com a sociedade. “O discurso que está sendo feito é o de que os médicos não querem ir às cidades pequenas, como se colocar médico fosse resolver o problema. E não é. Um médico sem condições não irá exercer a profissão. O governo quer passar essa ideia que quem faz tudo é o médico”, frisa.

Para o médico Marcos Nunes, trazer médicos do exterior

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo ele, pedir a revalidação do diploma é uma garantia da qualidade dos serviços que serão prestado à população. “O Revalida é considerado como um dos melhores exames de revalidação de diploma que existem. E foi um programa criado pelo governo. Por que este mesmo governo não quer aplicar o programa agora? Se eu for trabalhar na Inglaterra terei de atestar a proficiência na língua e passar por uma série de provas de aptidão e serei supervisionado por uma comissão. Por que não exigimos o mesmo padrão de qualidade?”, questionou.

Mobilização Nacional

A categoria faz protestos pelo país em pelo menos 20 estados: Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocatins.

Médica Eneida Leão lamentou a falta de estrutura nos postos de saúde (Foto: Egi Santana / G1)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por conta da movimentação na capital baiana, os manifestantes fecharam as vias do Campo Grande e uma das vias na Avenida Sete de Setembro. Por volta das 18h15 o protesto foi encerrado e, aos poucos, as vias foram liberadas.

Manifestação no interior

Cerca de 160 pessoas, entre estudantes de medicina, residentes e profissionais, realizaram uma manifestação no centro da cidade de Vitória da Conquista, no sudoeste do estado.

De acordo com Luis Cláudio Menezes, diretor regional do Cremeb, o grupo protestou por melhores condições de trabalho e salário. O trânsito ficou congestionado nas avenidas Siqueira Campos e Divaldo Mendes, por onde o grupo seguiu em passeata.

Na Bahia, médicos das cidades de Juazeiro, localizada a cerca de 500 km da capital, e Feira de Santana, que fica a cerca de 100 km de Salvador, também realizaram protestos nesta quarta-feira (3).

 

 

Fonte: Egi Santana/G1

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