Auxílio emergencial

Nas ruas, neste mês de agosto, ainda inverno, têm folhas esvoaçando pelas calçadas, enquanto a fila da Caixa Econômica, que parece um gigante da montanha, olhando tanta formiguinha parada em busca de provisão .

Está gente irritada com pessoas que param ou que se movem de modo errado, atrapalhando o ritmo da caminhada.Tinha gente suspirando nas longas filas, dizendo à pessoa da frente “Sério, por que não colocam mais gente trabalhando nos caixas?”.

São pessoas em reduzidas condições de vida. Só no relógio as horas vão passando sem sofrer e elas seguram o cartão do bolsa família e uma corrente de ar frio se esgueira em seus rostos.

Em algum lugar fora de seu campo de visão uma criança está chorando, um choro especialíssimo, cujo sentido não conseguem alcançar.

Está fila carrega um código de sociabilidade banal que rege à relação entre conhecidos. É uma fila sem isolamento social, nesta época de pandemia, mas para necessidades básicas de sobrevivência. Em que se apoiar, no meio do tantos desgostos? Sem dinheiro e com a ameaça desta doença.

Sem dúvida os tempos estão duros, mas estas pessoas vão continuar a marcha penosa de construção do futuro. Mas qualquer um pode ver que é muito difícil trasformar os seiscentos reais emergenciais em uma vida bela, mas todos temos que andar até onde o destino nos aguarda, pelo menos podemos observar estas pessoas, e nos compadecer, mas deve-se deixá-las seguir o seu caminho.

Sentindo-se alheio e anestesiado. Provavelmente para elas a maneira mais simples de dias melhores é saber votar.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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