Atentado terrorista

Emergimos em um mundo em que tudo parece possível. Este atentado em Nice foi inesperado, mas rápido também. Quando tudo voltar a rotina, três pessoas morreram inclusive uma baiana, que deixa três filhos. A força ofuscante do pânico e perdas trazem consigo sensações estranhas, de um mundo desconhecido, por que esfaquear um ser humano que não se conhece? Nossos olhos perdidos na busca de sentido para a intolerância religiosa.

Somos tocados pela singularidade e pelo mistério de cada pessoa ao conhecermos a história de Simone, a baiana esfaqueada. Com coisas cotidianas na cabeça, era cuidadora de idosos, mas os holofotes só se voltaram para ela devido ao atentado, era uma pessoa simples e feliz.

Estamos sempre sozinhos e ao abandono trancados do lado de fora da vida, após sair do útero materno, ela nasceu em Salvador se lançou no mundo, tinha sede de vida, queria viajar o mundo num Food Truck a vida é curta e, enquanto pensamos, ela se vai, e finda. Talvez no momento da facada, ergueu a cabeça e inspirou com certa força. Nesse ar que inspirava entrava-lhe pelo peito a vulgar realidade das coisas, e seus olhos já não contemplavam sonhos longe, mas apenas um momento de dor, e depois a escuridão total, não mais os sonhos. Tudo o que é profundo é de dentro, tudo o que é superficial é de fora.

Juro que nunca pensei que o mundo pudesse um dia ser assim tão radical. A vida nem sempre é justa e é absolutamente imprevisível. A feia frieza do fim. Seguem-se as velas, gemidos, lágrimas e soluços do velório.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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