APLB relembra mortes dos professores Álvaro e Elisney

Sindicato garante que não deixará o crime cair no esquecimento
Nesta sexta-feira, 17/09, completa um ano dos homicídios dos sindicalistas, assassinados a tiros em Porto Seguro. Em sua homenagem, está sendo promovido o 1º Congresso de Educação

A APLB – Sindicato da Costa do Descobrimento divulgou uma Carta Manifesto, lembrando um ano dos assassinatos dos líderes sindicais Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira Santos, mortos a tiros em Porto Seguro, na noite de 17 de setembro de 2009.

Álvaro Henrique era conhecido por fazer constantes denúncias ao Ministério Público contra possíveis irregularidades na Educação do município, como: contratação de professores em detrimento dos concursados; escolas deficitárias e funcionando em locais improvisados, como lava-jato; pagamento de dívidas da gestão anterior com recurso do FUNDEB, etc.

13 dias antes de sofrer o atentado, Álvaro enviou um email ao professor Euvadelis, que se encontrava em Portugal, no qual dizia estar sendo objeto de ameaças e outras tentativas de intimidação. Entretanto o diretor do sindicato, ou o próprio Álvaro, teria preferido não tornar o fato público.

Reunião com o secretário de Educação

Poucos dias antes do crime, o docente assassinado fez diversas denúncias à Rádio Porto FM e também expôs a pauta de reivindicação na Câmara de Vereadores. Ele ainda participou de uma reunião na Câmara, onde o secretário de Educação da época, Caetano Cuppolo, fez uma prestação de contas e avaliação do primeiro semestre de 2009. Neste dia, os sindicalistas teriam hostilizado o secretário.

Ao se reunir com o então secretário de Administração e Finanças, ele, segundo a APLB, teria dito que não negociaria caso os professores fizessem paralisação ou greve. A greve foi deflagrada no dia 16 de setembro.

O crime

No dia seguinte, a professora Maria Aparecida Santos, mãe de Álvaro, estava no Sítio Rancho do Arthur, localizado na Roça do Povo, em Porto Seguro, com seu filho, Eric Márcio Santos de Oliveira, e seu neto, filho de Álvaro, Arthur Henri, que sofre de paralisia cerebral. No momento em que ela alimentava o seu neto, homens armados e encapuzados chegaram à residência e renderam a família. Ameaçada, Maria Aparecida telefonou para o filho e pediu para que ele viesse para casa, pois Arthur estava passando mal. Quando Álvaro chegou, acompanhado de Elisney, foram alvejados. Os corpos ficaram estirados na cozinha. Elisney morreu na hora, e Álvaro, seis dias depois, sendo levado em estado gravíssimo para Salvador. Após ser submetido a uma cirurgia para extração da bala que estava alojada na cabeça, veio a óbito, no dia 23 de setembro. Outro projétil, não percebido pelos médicos, atingiu-lhe a nuca, de modo que se sobrevivesse teria comprometimento irreversível de algumas funções cerebrais.

A repercussão do caso e as prisões dos suspeitos

Surpreendida pelo acontecimento, a APLB passou a cobrar providências para que o crime fosse solucionado. Representantes foram enviados a Brasília, para solicitar apoio do Ministério da Justiça e da Polícia Federal; fizeram manifestações na BR 367, nas principais ruas e avenidas de Porto Seguro e em Salvador, em frente à Secretaria de Segurança Pública. A imprensa regional, da Bahia e até de outros estados deu ampla cobertura ao caso.

Em março de 2010, o juiz da Comarca de Porto Seguro, Roberto Costa de Freitas Júnior, atendendo pedidos do promotor de Justiça Dioneles Leone Santana Filho e do delegado da Polícia Civil Evy Paternostro, decretou as prisões de Edésio Lima, Secretário de Comunicação Governo da prefeitura, acusado de ser o mandante das mortes, e de três policiais militares, apontados como supostos executores.

Os acusados continuam presos, aguardando o pronunciamento do juiz. A defesa ingressou com quatro pedidos de habeas corpus, indeferidos pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Homenagem aos educadores assassinados

Professores lotaram Centro de Cultura no primeiro dia do Congresso
“Álvaro deixou um filho especial, não apenas pela lesão cerebral com a qual convive, mas também por ser filho de um homem que sempre lutou pela Educação. Os pais de Elisney ainda não conseguem sorrir, uma vez que a dor ainda é imensa, cada instante sem o filho é muito sofrido. Os irmãos tentam continuar a vida, mas o sofrimento também é visível. A esposa e os três filhos, o menor deles com menos de dois anos de idade, sofrem com sua ausência”, diz a nota divulgada pela APLB.

Em memória dos professores Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira Santos, está sendo promovido na cidade, entre os dias 17 e 18, o 1º Congresso de Educação.

Nesta sexta-feira, 17, às 16 horas, os professores sairão em carreata do Centro de Cultura de Porto Seguro, local onde será realizado o Congresso, percorrendo os principais bairros da cidade e finalizando no Colégio Municipal Frei Calixto, lugar onde Álvaro lecionava Língua Portuguesa, e Elisney, Matemática, e onde será realizado o Culto Ecumênico, às 19h00minh.

Fonte: APLB Sindicato da Costa do Descobrimento

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