Ambicione ser bom

“Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.” (Mateus 6.12)

Na fé cristã somos informados que, uma vez acolhidos como filhos de Deus por meio de Cristo, nossa vida deverá sofrer mudanças na direção de nos tornar parecidos com o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Se adoramos e servimos ao Deus que é bom, ser bom constitui-se um aspecto indispensável da adoração. Neste sentido, adorar é tornar-se parecido. Na sequência de ensinos de Mateus 5 a 7, que chamamos de Sermão do Monte, antes de ensinar sobre oração, Jesus ensina sobre a necessária identificação, imitação, a Deus. Ele diz: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.” (Mt 5.43-45). Um pouco mais adiante, Jesus conclui, no verso 48: “Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”.

Não podemos orar a Deus pedindo sobre nós sua graça e misericórdia, sua bondade e cuidado, sem aceitar o desafio de agirmos da mesma forma em relação às pessoas com quem nos relacionamos. O que desejamos e esperamos que Deus seja para nós, devemos decidir e nos esforçar para ser para os outros. Por isso, é parte de nossa fé ambicionar sermos bons, generosos, misericordiosos. Mesmo imperfeitos, mesmo limitados, podemos ser bondosos. Temos a dádiva do Espírito Santo, desde que cremos no Evangelho (Ef 1.13). O evangelista João chama o Espírito Santo de Parákletos, vocábulo que significa Consolador, Conselheiro, Defensor, Ajudador, Guia… a ideia é de alguém que nos supre. Nossa fraqueza, impossibilidades, incapacidades podem ser por Ele supridas a nosso favor, para que nossa vida seja segundo o querer de Deus.

Não devemos orar ao Deus bondoso e não desejar sermos bondosos. Não devemos pedir perdão (e fazemos isso diariamente) e manter o nosso coração fechado diante das falhas do nosso próximo. É possível que haja situações em que perdoar precisará ser algo melhor compreendido, mas em inúmeras situações, perdoar não será negociável se cremos num Deus que perdoa e que nos perdoa. Ser bom é nosso chamado se andamos com Deus, e deve ser nossa ocupação e esforço diário. Vivemos numa sociedade que afirma que o importante é ser feliz. Sim, é. Mas, se essa perspectiva nos dominar e nos guiar, correremos o risco de, na busca por felicidade a qualquer custo, alimentarmos nosso egoísmo e cooperarmos com a infelicidade das pessoas. Se a prioridade for felicidade, correremos o risco de nos afastar da bondade. Mas se a bondade for nossa ambição, pode ter certeza, seremos felizes.

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