Amando cordialmente

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Romanos 12.10)

Amai-vos cordialmente, diz o apóstolo. Antes ele disse que o amor deveria ser sincero e agora que ao amar, devemos faze-lo cordialmente. Não sei o quanto você percebe, mas este verso tem uma redundância intencional. O apóstolo está enfatizando, de modo a não deixar qualquer dúvida sobre a maneira como uma igreja cristã, uma comunidade que se reune pela fé em Jesus de Nazaré, deve relacionar-se. E é assim enfático e redundante porque o que ele está afirmando não é negociável. Ao contrário, é um aspecto central da vida da igreja. Lembremos que o assunto do capítulo é uma liturgia para a vida e que ela envolve mudança de mente e transformação pessoal. E amar é central nesse processo.
O Paulo está dizendo: “amem-se como pessoas que estão ligadas por laços de sangue, como membros de uma mesma família, jamais colocando-se uns contra os outros mas, ao contrário, ofertando o primeiro lugar ao outro”. A liturgia da vida cristã é para gente madura e não para gente que quer permanecer mimada em sua espiritualidade. Somente os maduros cedem. Os imaturos são intolerantes. Os maduros são tolerantes, pacientes e humildes. Os maduros protagonizam a liturgia da vida cristã e isto é uma oportunidade para os imaturos amadurecerem.

Viver a experiência como igreja envolve esse desafio e ele é exigente. Mas desigrejar-se não é uma opção. A opção é permanecer e amar. Amar como amamos nossos familiares e não desistimos deles. Amar como amamos nossos filhos e não desistimos deles. Já viu alguma mãe desejar trocar seu filho que nunca arruma o quarto pelo da vizinha, que dá muito menos trabalho? As Escrituras afirmam que a evidência de que passamos da morte para a vida é o fato de que aprendemos o sentido de ser família em Cristo: “Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte.” (1 Jo 3.14).

É diferente quando compreendemos a espiritualidade cristã e sua adoração como uma liturgia para a vida e não uma liturgia para o templo. Aí nossos critérios, prioridades, posturas e forma de sermos parte da igreja mudam, avançam, pois amadurecemos. Devemos nos manter conscientes e atentos: a vida cristã não é uma performance litúrgica templária e não glorificamos a Deus somente porque cantamos um hino, ainda que o façamos com grande beleza e sentimento. A beleza com que cantamos é supérflua. Inegociável e sinal do Espírito Santo entre nós é o modo como nos relacionamos uns com os outros e com a vida. O Evangelho tem uma liturgia própria, definida pelo amor, e nada será aceito em substituição a ela.

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