Além das aparências: sobretudo, o amor!

“Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.” (1 Pedro 3.15)

Para vivermos a fé que Jesus nos ensinou além das aparências, precisamos nos aninhar no amor de Deus. Precisamos perder o medo de confiar no amor. Ontem refletimos sobre seguir pela vida buscando a verdade sobre nós mesmos e tendo coragem de ser quem de fato somos. Tantas vezes o que nos impede é o medo de não sermos amados. É um medo justificável, porque não é fácil não ser amado, aceito, respeitado. Por isso preconceito é algo tão cruel. Por isso rejeitarmos, ridicularizarmos ou diminuirmos pessoas em razão de sua aparência, de sua cor, de sua condição social ou sexual é algo vil e anti evangélico. Pois o Evangelho nos anuncia o amor de Deus por todos nós. O Deus que vê beleza onde não vemos, aprecia o que não apreciamos e sabe acolher quem não sabemos. Se queremos viver além das aparências na vida cristã, precisamos aprender a ser amados por Deus ao ponto de compreendermos que nossa principal missão é amar.

Por alguma razão colocamos a moralidade no centro de nossa prática espiritual. Passamos a considerar que a fé nos encaminha para uma moralidade que vai nos tornar aceitáveis a Deus. Que isso é entender o Evangelho: saber que não devemos mais ser os pecadores que sempre fomos. E justamente por causa disso continuamos sendo os pecadores de sempre, e piores porque, tendo sido levados a Jesus, preferimos continuar confiando em nós mesmos. Podemos não admitir que seja assim, intelectualmente, mas é. É por isso que julgamos os outros, que queremos impor aos outros a condição de que se consertem para poderem andar com Deus, pois se entenderam bem a mensagem do Evangelho, devem se consertar. Ignoramos que, na verdade, pouco, muito pouco ou quase nada, nos consertamos. Somos consertados. Mas antes disso, para que não caiamos na ilusão de seguir uma lógica de retribuição em nossa relação com Deus, Ele em nada nos muda, só nos ama. Parece absurdo, mas não é? Somente após amados ao ponto de não duvidarmos é que, de fato, somos, não consertados simplesmente, mas transformados.

A lógica da retribuição é a lógica que implanta dentro da jornada cristã o peso da culpa. Uma culpa que frutifica e nos escraviza. Falamos de liberdade, mas não sabemos ser livres e nem deixamos as pessoas serem livres. E assim contribuímos para que a igreja seja um lugar onde todos tenhamos dificuldades de sermos nós mesmos. Só o amor de Deus, que nos ama como somos sem nada pedir, sem condições, pode nos salvar da mentira que colorimos de verdade. Só o amor escandalosamente generoso e voluntário de Deus pode nos levar a viver além das aparências, das muitas aparências que aprendemos na religião. Só um amor que nos tira o direito de julgar, que torna injustificável toda forma de preconceito e rejeição pode nos salvar da pobreza espiritual de quem acha que é rico por causa das próprias justiças e das coisas que nunca fez. Um amor que nos coloca em paz conosco mesmos antes de pedir para darmos qualquer outro passo, é o amor que nos santifica. Que me leva a perdoar a mim mesmo e me faz mais capaz para perdoar o outro. Se queremos santificar a Cristo em nosso coração, precisamos ser vencidos pelo amor. A vida de aparências é mais comum do que pensamos. Se estamos nela, que acordemos.

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