Acidente

Eu não tenho palavras para descrever a tristeza, a dor de uma mãe, ao perder um filho, imagine dois, num acidente de trânsito. Foi apenas um instante, e a moto bateu no poste e dois jovens estavam mortos. Algo visceral, de raiva, existiu que projetou o carro em direção a moto. Foi só o que conseguiu expressar para liberar a emoção interna.

As emoções súbitas são um caldo quente. Na secreta luta interna ele jogou seu caldo na racionalidade. A armadura que construímos em volta das emoções pode bloquear a impulsividade, mas, às vezes, o caldo é muito quente e quebra este escudo.

Lembro-me da frase que li na Bíblia: “Não sejas demasiadamente mau, nem sejas louco.” Cada homem tem razões que só a ele pertencem, mas as emoções pertencem ao universo de todos. Em alguns, as emoções estão presas a um paviu muito curto. No acidente houve a explosão, ligada à este pavio, tão curto, sem ligação com a intenção.

Na alma existem valores belos, mas aí foram encobertos momentaneamente pela nuvem escura das emoções. Depois, o véu caiu e a racionalidade reapareceu encoberta pela culpa e arrependimento, mas já era tarde, o lado sombra venceu ofuscando a luz da alma altuista. Está cegueira das emoções existe em todos nós.

As sombras escuras estão em toda parte onde há feminicidio, racismo, no desembargador humilhando um guarda municipal, nele que já tinha quarenta e duas ocorrências arquivadas no tribunal, o pavio quase não existe.

Nossa bússola interna nestes casos fica desregulada e o modo de viajar pela vida imprevisível. Acredito que temos que procurar ver o além do cotidiano, o além da direção da bússola, aprender a olhar o eterno que é Deus.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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