A voz de Deus

“De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles.” (Atos 2.2-3)

A história humana sempre dependeu da voz divina para sustentar-se. Na perspectiva cristã, sem a voz divina sequer existiríamos. Diferente da voz humana que muitas vezes é apenas um som sem propósito, que outras vezes pronuncia-se movida por propósitos inadequados, egoístas, narcisistas, a voz divina é sempre digna, generosa, amorosa e promotora de vida. Embora algumas vezes a voz humana também venha com propósito benignos, nem sempre ela se confirma no compromisso de suas afirmações, para dor, tristeza e decepção de quem nela confiou. A voz divina jamais decepciona. Deus jamais descumpre a Sua voz anunciada. Nenhuma de suas palavras cai. E a voz divina, insistentemente, dirige-se a nós e o faz das mais variadas formas. Benditos aqueles que a escutam e, escutando, lhe dão ouvidos. Como reiteradamente lemos nas Escrituras, quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

No Pentecostes, em Jerusalém, numa casa que abrigava discípulos de Jesus, a voz de Deus se fez ouvir. Mas de uma forma diferente. Ela mesma nada disse que pudesse ser ouvido e compreendido. Ela apenas revelou-se presente. “Veio do céu um som”. Não poderia ser outro senão o da voz de Deus. E o som encheu toda a casa. Naquele dia a voz se fez não apenas ouvir, ela se fez ver. Aqueles discípulos, depois de ouviram o som que veio do céu, “viram o que parecia línguas de fogo”. Quantas vezes o fogo anunciou a manifestação de Deus. Eles conheciam bem a história de Moisés e como de um arbusto em chamas ele conversou com Deus. Eles conheciam a história do profeta Elias, que recebeu a resposta de Deus numa labareda que, vinda do céu, consumiu o holocausto e afirmou Javé em face de Baal, um deus sem voz. No Pentecostes a voz se fez fogo sobre cada discípulo. Não foi tudo, houve mais que isso como veremos, mas já teria sido muito. Eles estiveram envolvidos, mergulhados, batizados em Deus.

Vez por outra lemos nas Escrituras Deus fazendo com que pessoas ouvissem Sua voz. Muitos de nós invejamos tais experiências. Talvez todos nós. Pensamos que, se algo assim acontecesse conosco, jamais voltaríamos a duvidar. Jamais caminharíamos vacilantes na fé. Se assim fosse, Deus nos faria ouvir e ver, como em Pentecostes. Mas, na verdade Ele já fez isso e nos deu muitas vozes para por meio delas, ouvir a Sua.  Estamos envolvidos por Deus, que nos ama incompreensivelmente. Precisamos nos converter ao Seu amor e ai nos converteremos à sua presença e conviveremos com Sua voz pois ouviremos Sua Palavra. Aquela voz veio e deu poder para testemunhar, mas ela não veio em poder. Ela veio em amor. O Deus que graciosamente se dá, sempre o faz em amor. E o amor sempre fortalece e dá poder. E seu poder gera servos e não senhores. De certa forma, mais enfraquece, pois ai o Poder perfeitamente nos habita. Aquela voz do Pentecostes veio por mim e por você. Precisamos ouvir o som de novo e ver o fogo. Com os olhos da fé. Precisamos crer que ele já veio e está entre nós. Pois é verdade!

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