A questão do divórcio – Parte 3

“Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’. Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério.” (Mateus 5.31-32)

Cresci e fui educado como cristão, desde meu nascimento. Meus dias sempre incluíram a vivência na igreja e o aprendizado das Escrituras. O estudo bíblico sempre me atraiu. Mesmo muito menino, do meu jeito, dedicava profunda atenção a ele. Compreender as Escrituras sempre me desafiou e desfiará. Os domingos no templo e os dias de semana na escola foram me ensinando a necessidade de um encontro entre a Bíblia e a vida. E percebi, muito mais tarde, que a igreja é o lugar desse encontro por excelência. Não o templo, mas a comunidade, as pessoas com suas vidas, seus dilemas, suas peculiaridades, suas fraquezas, seus problemas. Conhecer a Deus e à sua vontade em meio ao que dá certo e ao que dá errado para cada um. Nossas vidas reunidas representam uma rica e desafiadora diversidade. Todos somos carentes da graça de Deus. Todos desejando viver da melhor forma, ser felizes e agradar ao Deus que nos ama e nos salva. Alguém afirmou que vivemos mal a vida, porque lemos mal a Bíblia! Acredito que também podemos dizer que lemos mal a Bíblia, porque vivemos mal a vida. Dificultamos a ação do Espírito de nos guiar à verdade.

Precisamos da iluminação do Espírito Santo para que o encontro entre a Bíblia e a vida aconteça efetivamente. Mas, as vezes, em nome de ouvir o Espírito, o impedimos de falar, pois não aceitamos que Ele nos fale algo que contrarie aquilo que nossos ouvidos se acostumaram a ouvir. Ficamos surdos por termos ouvido demais. Digo isso como forma de concluir nossa reflexão sobre divórcio – um tema que leva alguns a taparem os ouvidos. Nossas igrejas tem divorciados e tem recasados. Nem todo divórcio foi acertado, mas alguns dão mostras que foram: uma nova e abençoada vida floresceu. Nem todo casamento mantido foi uma decisão certa, mas alguns foram: as dificuldades foram superadas e a vida floresceu. Precisamos ter a coragem de ler as Escrituras diante da vida, sob a iluminação do Espírito Santo. Precisamos perder o medo de existir diante de Deus. As palavras de Jesus sobre o divórcio são um profundo ensino sobre o casamento, e não simplesmente uma regra de regulamentação para ele.

O casamento é precioso ao olhos de Deus e deve ser precioso aos nossos olhos. Sua natureza contemporânea é mais desafiadora hoje do que jamais o foi, exigindo doação mutua, cuidado amoroso, respeito e dedicação. O divórcio é como uma amputação, algo que não se deve fazer apressada e nem irresponsavelmente. Mas pode ser uma saída legítima por diversas razões. É papel da igreja oferecer apoio aos casais em crise para que o divórcio seja evitado. Mas não é seu papel proibi-lo, muito menos pela via da condenação divina, pois não é essa a única e nem a melhor leitura das palavras de Jesus. Um divórcio pode ser um pecado contra o cônjuge e uma insubmissão a Deus. Mas também pode ser um caminho de restauração para vida e o fim de um grande sofrimento. Optar por ele não é algo simples, mas é um direito de cada cônjuge a quem também cabe a responsabilidade da decisão. Em lugar de proibir o divórcio, saibamos orientar e apoiar casamentos e sejamos respeitosos com os que se divorciam. Somos livres em Cristo. E o amor que dá vida ao casamento só é possível se há liberdade. A vida conjugal é preciosa demais para depender de um cadeado!

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