A oferta e o ofertante

“Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.” (Romanos 12.1)

Mais que dar uma oferta, o apóstolo Paulo diz aos cristãos de Roma que eles deveriam ser a oferta. Eles deveriam oferecer-se a Deus como se fossem um sacrifício vivo. Seus leitores estavam bem familiarizados com a ideia de sacrifícios como forma de adoração. Os cultos aos mais diversos deuses envolvia sacrifícios e a própria prática levítica orientava os sacrifícios para Deus, o Deus de Israel. Mas desde o começo, de diversas formas, os adoradores do Deus de Abraão sabiam que era preciso mais que apenas o rito em si. Um animal dado em sacrifício deveria verdadeiramente representar seu ofertante. Ele substituía o ofertante. Deveria haver verdadeiro arrependimento e consagração. O sacrifício do animal ofertado não poderia ser um fim em si mesmo. No Salmo 51 vemos Davi expressando essa compreensão: “Não te deleitas em sacrifícios nem te agradas em holocaustos, se não eu os traria. Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.” (Sm 51.16-17)

Os profetas também combateram a prática de sacrifícios e festas que não traziam junto um compromisso de vida. Eles falaram duramente contra uma devoção que era apenas uma liturgia, que não se confirmava verdadeiramente na prática da vida. Veja a pregação de Isaias: ”Para que me oferecem tantos sacrifícios?, pergunta o Senhor. Para mim, chega de holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos gordos; não tenho nenhum prazer no sangue de novilhos, de cordeiros e de bodes!” (Is 1.11). O problema era que, ao mesmo tempo em que faziam seus eventos no templo, as relações sociais eram injustas, havia exploração e injustiça. O problema não eram os sacrifícios que estavam sendo oferecidos, mas a falta de vida para confirma-los. Por isso Deus fala por meio do profeta: “Removam suas más obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva.” (Is 1.16-17)

Paulo temia que os cristãos em Roma e nas demais cidades, acabassem na mesma situação: apenas apresentando serviços religiosos a Deus, sem viver para Deus. Por isso seu clamor é “ofereçam-se a si mesmos como sacrifícios vivos!”. Pensemos em nossos cultos, apresentações, músicas, reuniões, etc.. Elas não podem ser um fim em si mesmo. Nossa vida precisa confirmá-los. E a evidência que os confirmar está em nossas atitudes uns para com os outros. Em nosso amor, respeito e honestidade uns para com os outros. Se há dureza de coração, se há intolerância, hipocrisia ou maldade, se falta amor, todo nosso esforço para cultuar a Deus perde-se. Deus somente é honrado por nossas palavras quando é também aquele que influencia nossas atitudes. Por isso, mais que entregar uma oferta, entregue a si mesmo, a si mesma. Seja um sacrifício vivo e agradável a Deus.

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