A luta de sempre

“Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam.” (Gálatas 5.16-17)

Esta luta é antiga, e até hoje nenhum ser humano, por si mesmo, saiu-se bem. Do mais religioso ao mais secular, seja quem mais ora e quem menos ora, nenhum de nós é forte ou se torna forte o bastante. Isso não significa que não importa o que fazemos ou que nada podemos fazer a respeito. Claro que importa! Se vigiamos e oramos como ensinou Jesus (Mc14.38) poderemos nos sair bem melhor do que se não o fizermos. Mas a guerra permanece e a carne (nossa inclinação ao desequilíbrio, nossa tendência ao desacordo com Deus e ao descontrole diante da vida), continua procurando caminhos para realizar seus feitos em nossa vida e por meio de nós. E as vezes nem mesmo percebemos isso, pois não reconhecemos todas as suas faces.

Viver pelo Espírito é o caminho para não realizarmos os desejos, os propósitos de nossa humanidade que se distancia de Deus. Desejos que nos levam à corrupção do que temos, somos e desejamos. E aí já não sabemos ter e não sabermos nos contentar. Negamos quem de fato somos e fomos criados para ser, desencontrando-nos de nós mesmos, tornando-nos uma versão piorada, mesquinha e não confiável da pessoa que deveríamos ser. Viver pelo Espírito é algo que acontece quando buscamos o Espírito. É eleger a fé como critério para a vida e duvidar da vida que contradiz a fé. É enfrentar a nós mesmos, nossos desejos e anseios, dores e vazios, sem tentar resolve-los pelo caminho dos homens. Substituindo vingança, mágoa, cobiça, preconceito, avareza e maledicência por perdão, amabilidade, domínio próprio, respeito, contentamento e louvor.

Para viver pelo Espírito precisamos de nosso próprio quarto secreto de oração e confissão. Precisamos visitá-lo diariamente. Por vezes, mais de uma vez ao dia. Precisamos de uma sala de estar para convivência e partilha com outros que creem. Precisamos de uma área de serviço onde nos doamos, nos ocupamos para tornar as cosias melhores para nós e para outros. Precisamos de uma mesa de jantar, onde com outros nos alimentemos e nos alegremos comendo o Pão da Vida. Precisamos de uma varanda para ver o por do sol ou a chuva. Um lugar de sossego e descanso e as vezes de lamento. Tudo isso é metáfora do que precisamos como indivíduos que creem e do que uma igreja deve ser para pessoas que creem. Para vencer a luta entre carne e espírito precisamos de responsabilidade e compromisso. Precisamos cuidar de nós mesmos e cuidar uns dos outros. Precisamos de solitude e de celebração. Precisamos olhar para cima e olhar para o lado!

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