A escola de todos nós

Hamilton Farias de Lima, professor universitário

     “Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo”

Cora Coralina (1889-1985)

Como premissa numa superficial análise, até onde a coletividade é mera resultante da escola da vida?!  Vejam-se os diversificados estratos sociais do existir humano, dos primórdios dos tempos à atualidade contemporânea, através da percepção no conviver coletivo, e, daí,  à reflexão sobre essa realidade social e suas consequências. Qual o significado da escola da vida? Ela basta por si só?

Ela tem demonstrado que o mundo não se constitui uma redoma impenetrável, nem seus habitantes estão sujeitos a um determinismo único, ora excludente e marginalizador, onde poucos têm muito e muitos têm tão pouco. Isto é consequência relativa a não apreensão de outros elementos disponíveis ou não, pelo entendimento e visão de cada um, no esforço e desprendimento próprios, na luta contra os desafios que são superados pela vontade a fim de transformar a realidade e, em consequência, a si mesmo alcançando o bem-estar.

É próprio da natureza humana a busca da felicidade. Contraditório é deixar-se levar pelo pessimismo, pela inação, cruzar os braços, dando tempo ao tempo, na solução das questões que afetam o individuo e, por extensão, o tecido social, quando o viver com harmonia e paz em comum requer luta, qualidade e participação. É ou não, o que se vê demonstrado, ao longo das eras?!

Examine-se, pois, um pouco da magistral escola da vida.  Encontrada em todos os lugares, ela não requer espaços físicos pré-determinados, além de possuir ilimitada biblioteca rica em tradição e cultura – a maior e mais inimaginável de todas. Sua “construção” fez-se consciente/inconscientemente, a partir dos mais primevos acontecimentos do homem na face da terra; dotada de um “acervo” inigualável de exemplos, fatos históricos, registros sociais, que sempre estiveram, estão e estarão disponíveis àqueles que buscam superação para um viver decente. Basta ver, ouvir, refletir e ficar atento às “experiências” da grande mestra!

É de boa índole lembrar: os conteúdos, os valores da escola da vida, são repassados todo dia pelos bilhões de seres que a constituem que dialogam entre si, a um só tempo como iguais mestres e aprendentes, de forma indistinta, a cada hora, de geração a geração, no fruir dos tempos e a mercê de cada um; são tesouros que não se perdem, crescem continuamente, e se multiplicam e se difundem indistintamente a todos.

Associada à escola da vida, há uma outra formal, institucionalizada e  sua coirmã. Ela é mais jovem que a primeira, como já antevista na crônica das eras. Possui uma dimensão formadora mais estruturada e formal; ela é renovadora e busca um ajustamento temporal do saber aos ditames da sociedade, seus interesses de cidadania e de desenvolvimento político-econômico-social. Nos dias atuais, frise-se, nela repousam as esperanças pela construção de um Brasil melhor, pátria gentil amada por todos!

Por princípios e objetivos, seus programas e conteúdos escolares apresentam e procuram refletir sobre valores e concepções de vida, de igualdade, de liberdade, de direitos e obrigações, além do respeito que se deve ao próximo, independente de sua etnia, crença e/ou ideologia. É, assim, espaço convergente, indutor e sedutor que obedece a critérios pedagógicos estabelecidos, numa perspectiva de ensino-aprendizagem institucionalizado, planejado, dirigido e executado pelas ações diretas do homem visando sua transformação.

Em finale, cabe reconhecer e saudar a escola da vida como condição imperativa pela condição intrínseca de ser a escola de todos nós, por sua relevância e magnitude, que tem representado na evolução  contribuições  em todos os aspectos do homem e do seu viver social, ao longo das eras!

Comente!

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui