Pestalozzi faz 30 anos em Teixeira: “você precisa vir aqui sentir a emoção em ver essas pessoas”

“É o que cabe em meu coração com aquilo de responsabilidade que Deus me deu”, diz Maria Luiza Dall’Orto, presidente da Pestalozzi

Maria Luiza Dall’Ortto, em entrevista ao jornal OSollo, contou um pouco da história da instituição na tarde de terça-feira (24). Segundo ela, tudo começou na primeira gestão de Temóteo, época em passava por um momento delicado e precisava de algo que conferisse ainda mais ânimo à sua vida. Foi então que, por meio de uma cunhada, em Linhares/ES, conheceu as ações da Pestalozzi e viu nisso uma possibilidade de realização pessoal: ajudar alguém sempre nos dá novo ânimo de vida!

João Carlos Vieira, secretário de Administração, com Maria Luiza Dall’Orto. Foto: Jornal Alerta.

De volta à Teixeira, ela se reuniu com mães de crianças especiais, procurou Temóteo, que cedeu o espaço à Pestalozzi e “na época, deu muito apoio a gente”, destaca a presidente da instituição. No início eram apenas 18 crianças, mas, em pouco tempo o número praticamente dobrou. “Foi cada dia aumentando mais, é uma luta constante, é uma luta diária, porque é um trabalho filantrópico, mas, você quando chega num ponto em que nós chegamos hoje você não tem a mínima condição de fazê-lo sem a ajuda e sem a participação do poder público”, ressalta. Essa semana, diversas atividades estão sendo realizadas em comemoração aos 30 anos.

Fotos: Wesley Morau/OSollo.

A Pestalozzi de Teixeira de Freitas, chamada de Escola Especial Nova Flor, nasceu em 23 de outubro de 1987. É uma entidade filantrópica que depende de parceiras com o Município, Estado, União, empresas privadas e doações para manter-se funcionando, uma vez que, de acordo a Maria Luiza, “embora seja uma instituição filantrópica, uma associação com fins assistenciais, chega num ponto em que a gente ou trabalha dentro da escola pra dar continuidade aos serviços aqui dentro prestados com as crianças ou a gente fica fazendo festa”, explicando a dificuldade de assistir em sua plenitude as pessoas com necessidades especiais se ficarem se dedicando a maior parte do tempo a eventos para a arrecadação de doações. “Não dá pra juntar as duas coisas. [Atendemos, hoje, a] um número alto de pessoas, chegando a 269, e se torna muito difícil angariar fundos para manter uma instituição desta. A folha de pagamento aqui é uma despesa de mais de 100 mil reais”.

Sobre a folha de pagamento, a presidente explica a importância do trabalho realizado na instituição. “Porque a gente não atende a criança somente na escolaridade, na inclusão, a gente atende a pessoa dentro de três pilares: a educação, a assistência social e a saúde”, no que ela detalha um pouco das ações: “os nossos assistidos, todos, a gente leva ao dentista, ao neurologista para acompanhar medicamento (…). Buscamos saber se acriança está recebendo seus recursos, o que a família faz com esse dinheiro. Trabalho com ele de educação e o leva ao ensino regular”. Sobre este assunto, ela relata até mesmo a preocupação com o controle de peso dos assistidos.

Pela Pestalozzi ter se tornado muito grande e muito complexa, como detalhou Maria Luiza, fazem-se necessárias muitas campanhas e muito apoio. Dentre as ações desenvolvidos pela Pestalozzi por meio das quais é possível ajudar em sua manutenção, estão: Projeto Sua nota é um show, Tecendo cidadania, horticultura orgânica e flores tropicais.

Ela cita que como muito importante os parceiros da instituição e diz saber que aqueles que chegam lá, num mês, com R$ 10 é porque só teve aquilo, exemplificando sua gratidão e confiança em seus apoiadores. Tamanho respeito a faz se esquivar de citar nomes, mas, cita o exemplo do professor João Carlos, da Secretaria de Administração, que, após ter ido ver de perto o trabalho da Pestalozzi, sensibilizou-se e dá um curso na instituição, mas, o dinheiro recebido, pago prefeitura a ele, é revestido integralmente em fraldas descartáveis. “Desde que ele fez essa parceira conosco, no início do ano, não tivemos problema de faltar fraldas descartáveis”.

A história foi contada apenas com o intuito de ilustrar o que ela considera a sua maior dificuldade – “mexer na sensibilidade do ser humano para vir até aqui, porque falar do trabalho é muito fácil. Você precisa ver o quanto elas precisam de carinho, de cuidado, porque até por ter nascido num berço mais desprovido economicamente, elas não têm as coisas que elas devem ter, que precisam ter”, disse, emocionada, a idealizadora de um projeto que se tornou sinônimo de inclusão social, educacional e da promoção do amor ao próximo.

 

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