Vigília contra Mubarak continua no Egito

Exército pode intervir em caso de ‘caos’ no país em crise, disse chanceler. Protestos entram no 17º dia, e impasse entre governo e oposição segue

Os manifestantes que pedem a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, mantinham a mobilização nesta quinta-feira (10) na Praça Tahrir, no Cairo, apesar das insinuações da véspera, de que o regime poderia recorrer ao Exército para combater o “caos” no país.

Na véspera, centenas de pessoas cercaram o Parlamento e a sede do governo, que ficam frente à frente. Eles passaram a noite no local, pressionando pela saída imediata do presidente.

“Nós temos que preservar a Constituição, mesmo que esta seja alterada”, disse na véspera o ministro de Relações Exteriores do país, Ahmed Abdul Gheit à emissora Al-Arabiya, de acordo com a agência Mena.

“Ele afirmou que caso o caos ocorra, as forças armadas intervirão para controlar o país, um passo, segundo ele, que poderá levar a uma situação muito perigosa”, informou a agência, citando o entrevistado.

Em outra entrevista, à PBS, TV pública americana, Gheit criticou a posição dos EUA na crise, em uma referência às declarações feitas na véspera pelo vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que pediu o fim imediato da lei de emergência, em vigor no Egito desde 1981.

Ele disse que a chancelaria egípcia ficou “furiosa” com a posição inicial dos EUA na crise, mas que depois os americanos perceberam a situação e viram que o governo Mubarak precisa de tempo para estabilizar o país antes de levantar a lei de emergência.

O governo dos EUA, que pressionam pela transição, pediu ao governo egípcio que faça mais para satisfazer as demandas dos manifestantes. Ao mesmo tempo, o presidente Barack Obama conversou por telefone com o rei da Arábia Saudita sobre a crise.

Impasse

O país continua em um impasse, no 17º dia de crescentes protestos de rua.

Fontes de segurança e a TV estatal informaram que pelo menos três pessoas morreram e várias sofreram ferimentos a bala em choques com a polícia em uma província desértica distante do Cairo na terça e na quarta-feira, no primeiro confronto sério desde que o ‘Dia de Ira’, em 28 de janeiro, levou ao envio do Exército às ruas.

Os manifestantes morreram quando forças de segurança entraram em choque com 3.000 pessoas no Vale Novo, uma província a 500 quilômetros do Cairo e que tem um oásis no deserto.

Ao tomar conhecimento das mortes, os moradores enfurecidos incendiaram sete prédios oficiais, entre eles duas delegacias, um tribunal e a sede local do PND, destacou o informe.

Vários movimentos sociais reivindicando melhores condições de trabalho e salário surgiram no rastro dos protestos contra Mubarak.

Nos últimos dois dias foram registradas manifestações nos arsenais de Porto Said, na entrada do canal de Suez e em várias empresas privadas que operam neste eixo estratégico do comércio mundial.

Desde o início das manifestações, pelo menos 300 pessoas morreram e 5 mil ficaram feridas no país, de acordo com levantamento da ONU.

Irmandade nega querer o poder

A Irmandade Muçulmana assegurou que não busca o poder, apesar de seus inúmeros pedidos para que Mubarak saia imediatamente.

“A Irmandade Muçulmana não busca o poder. Não queremos participar no momento (…). Não queremos apresentar um candidato à presidência” (nas eleições previstas para setembro), afirmou Mohamed Mursi, um alto dirigente do movimento islâmico, em entrevista no Cairo. “

Ministro renuncia

O novo ministro de Cultura do país, o intelectual Gaber Asfur, anunciou sua renúncia nesta quarta-feira. Ele estava no cargo desde a reforma ministerial de 31 de janeiro.

Asfour afirmou que a renúncia foi por “razões médicas”, mas ela ocorreu após ele enfrentar críticas de intelectuais proeminentes por integrar o novo governo, que foi apontado como uma tentativa de acalmar os ânimos dos manifestantes contrários ao governo.


Fonte: G1, com agências internacionais

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