Teixeira de Freitas: Nos três primeiros meses de 2016, casos de dengue aumentam 165% em relação a todo o ano passado

Por Petrina Nunes/ O Sollo

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A equipe do jornal O Sollo acompanhou um dia de trabalho dos agentes de endemias, da Vigilância Epidemiológica de Teixeira de Freitas, que fazem o combate ao mosquito Aedes aegypti – transmissor das doenças: dengue, zika e chikungunya – e foi possível ver o desinteresse da população em combater os focos do mosquito, sendo encontrados diversos criadouros em pontos variados da cidade. E procuramos a Secretaria de Saúde nesta quarta-feira, 6 de abril, para ter os dados da dengue na cidade.

Em um registro feito no bairro São José, de Teixeira de Freitas, em uma oficina mecânica próxima ao Parque de Exposição, foi encontrado um dos maiores criadouros de dengue da cidade. De acordo com os agentes, o dono do estabelecimento fez um buraco na encanação da oficina que acumulava água, fazendo com que atraísse o mosquito.

O supervisor da equipe de campo dos agentes de endemias disse que no mesmo dia eles jogaram remédios e retiraram o acúmulo de água do local, também orientaram o proprietário a consertar o defeito na encanação. “A previsão seria voltar ao local com quinze dias, mas como tem poucos agentes em Teixeira para dar conta da cidade, eles voltaram com trinta dias ao local”, disse o agente.

Conversamos por telefone com a equipe da Vigilância Epidemiológica de Teixeira de Freitas, e foi informado os seguintes dados das doenças causadas pelo Aedes aegypti na cidade: em 2015, houve 484 notificações de dengue e 165 casos confirmados; nos três primeiros meses de 2016, houve 804 notificações de dengue e 437 casos confirmados através de exames laboratoriais, até o presente momento.

Em 2015, houve 636 notificações de pessoas que poderiam estar com zika e nenhum caso confirmado; nos três primeiros meses de 2016 houve 45 notificações e nenhum caso confirmado como sendo zika. Sobre a chikungunya ocorreram 70 notificações em 2015, mas nenhum caso foi confirmado; nos primeiros três meses deste ano, aconteceram 15 notificações e apenas uma confirmação como sendo chikungunya, através de exames laboratoriais.

Esse aumento absurdo se deve a inúmeros fatores, como os climáticos, mas também o descaso da população em ajudar no combate. Além disso, alguns agentes relataram a dificuldade de entrar em certos terrenos, pois eles não têm botas e uniformes apropriados. Também disseram que, por falta de vestimentas, alguns moradores ficam receosos de abrir os portões para os agentes entrarem.

Na próxima semana, a cidade fará um novo Índice de Infestação, desta vez, seguindo as novas regulamentações do Ministério da Saúde, que quer contabilizar todos locais em que se encontrem focos do mosquito. Esse dado, possivelmente, estará disponível na próxima sexta-feira. Ano passado, o secretário de saúde, Eujácio Dantas, falou que Teixeira de Freitas estava fora do mapa da dengue, mas devido ao aumento dos casos, pode ser que a cidade fique em alerta.

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