Síndrome Guillain-Barré aumenta no Estado

 Se não bastasse a Dengue, Zika e Febre Chikungunya, mais uma doença intriga a comunidade médica e tira o sono dos baianos

Por Daniel do Vale /O Sollo

Acúmulo de lixo nas cidades, falta de saneamento básico, crescimento urbano sem planejamento, descaso das autoridades em um país de terceiro mundo formam o berçário perfeito para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Se não bastasse a Dengue, a Zika e a Febre Chikungunya, transmitidas pelo mesmo vetor, o “zum” “zum” “zum” de mais uma doença intriga a comunidade médica e tira o sono dos baianos.

A síndrome de Guillain-Barré já causou uma morte no Estado. Segundo balanço da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), mais de 40 pacientes foram diagnosticados com a doença. O total de notificações subiu de 55 para 76 nas últimas semanas. Vírus como a Dengue, a Zika ou a Febre Chikungunya podem estar relacionados. Entre os casos confirmados da doença, 26 sofreram alguma dessas enfermidades e novos registros estão em processo de investigação.

Salvador tem 26 dos 42 casos confirmados da síndrome. As cidades de Camaçari e Lauro de Freitas registraram duas ocorrências. Com apenas um caso, aparecem Itabuna, Jequié, Valença, Ipiaú, Serrolândia, Tanquinho, Santa Bárbara, Conceição de Feira, Castro Alves e Cândido Sales, de acordo com informações da Sesab.

A doença

Através de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, a Secretaria de Saúde da Bahia disponibiliza esclarecimentos sobre o assunto. A Síndrome Guillain-Barré é a maior causa de paralisia flácida generalizada no mundo, considerada uma doença neurológica rara. Sem causa definida, é normalmente associada a outras doenças virais como Dengue, Zika e Febre Chikungunya.

O problema é que a Bahia vive uma epidemia dessas três doenças. Até seis de julho desse ano, foram 45.538 notificações de Dengue, 11.351 de Febre Chikungunya e a doença exantemática indeterminada (Zika) apresenta 32.873 registros. Há um aumento de 162,72% nos casos de Dengue em relação ao mesmo período de 2014, quando foram notificados 17.333 casos.

Do total de municípios da Bahia, 365 (87,5%) notificaram a ocorrência de Dengue, com oito óbitos no total. Itabuna é recordista e apresenta 5.679 registros, seguida por Ilhéus com 5.057 e o segundo lugar no ranking da doença. Foram notificados ainda 32.873 casos suspeitos de Zika, em 189 (45,32%) municípios, entre os quais destacam-se Salvador (15.182 registros), Camaçarí (5.366), Jequié (1.232), Porto Seguro (952) e novamente Itabuna (749 registros), de acordo com dados da Sesab.

O Coordenador de Endemias de Itabuna, Renato Freitas, explica que a alta incidência de doenças relacionadas ao mosquito Aedes Aegypti no município é um problema antigo e sazonal, com pico de dois em dois anos. Segundo ele, foi confirmado que o caso de Síndrome Guillain-Barré não está relacionado ao histórico de outros vírus.

“Em 2012 tivemos 6.900 registros de dengue. O maior problema esta relacionado ao armazenamento de água em tanques, tonéis, caixas d´água e acúmulo em calhas. O tratamento era feito em três ciclos (visita a imóveis por ano), esse ano teremos cinco. Contratamos mais 67 agentes e estamos realizando a aplicação do bloqueio com inseticida”, ressalta Renato Freitas.

Através de um trabalho integrado entre setores da administração municipal e envolvimento da comunidade, Porto Seguro conseguiu uma redução significativa nas ocorrências de dengue. Em 2013 foram 1.305 casos suspeitos e 336 confirmados; em 2014 foram 211 suspeitos e apenas nove confirmados; esse ano foram 332 suspeitos e 23 confirmados, bem abaixo da média regional, segundo boletim epidemiológico. Referente à Síndrome de Guillain-Barré, nenhum caso foi confirmado.

De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Márcia Quaresma, é realizado uma ação de educação, prevenção e combate ao vetor contínua durante o ano todo. “Intensificamos os trabalhos de campo; três equipes de Educação Popular em Saúde promovem a conscientização em escolas, comunidades, igrejas e distritos; uma Equipe de Operações Especiais vai até o local onde houve confirmação de dengue, e realiza um bloqueio e combate num raio de 30m; os profissionais recebem capacitação periódica; tudo através de uma gestão estratégica e participativa”.

O município ainda realiza seis ciclos anuais de visitas domiciliares, mutirão de limpeza “faxinaço” envolvendo moradores, as Secretarias de Obras e Coleta de Lixo. Nos bairros onde há maior ocorrência de casos, uma bomba termonebulizadora (fumassê) também é usada para reduzir o vetor, informa Márcia Quaresma.

Diagnóstico

Fraqueza progressiva é um dos sintomas mais perceptíveis, atingindo membros inferiores, braços, tronco, cabeço, pescoço e pode causar até a tetraplegia completa, com paralisia da musculatura respiratória. O diagnóstico é primariamente clínico para reconhecimento da paralisia e flacidez dos músculos, seguido do exame do líquido da medula espinhal, que vai confirmar o caso e estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças autoimunes e neuropatias.

Não existem dados epidemiológicos específicos para a Síndrome Guillain-Barré no Brasil.

Tratamento

O tratamento é feito por meio da administração intravenosa de imunoglobulina – uma mistura de anticorpos produzidos naturalmente pelo sistema imune do corpo humano – para estabilizar o paciente e iniciar a regressão do caso. O enfermo deve ser atendido por equipe multidisciplinar, que inclui fisioterapeuta, fonoaudiólogo e infectologista, a fim de prevenir sequelas.

Em casos mais graves, quando os músculos da respiração e da face são afetados, os pacientes necessitam de ventilação mecânica para o tratamento da insuficiência respiratória. A síndrome de Guillain-Barré exige internação hospitalar já na fase inicial da evolução, alerta a Sesab.

Um Plano Operativo Emergencial para atendimento aos pacientes com manifestações neurológicas associadas às epidemias de Dengue, Chikungunya e doença exantemática indeterminada/Zika foi apresentado no último dia 8, em Salvador, para profissionais de saúde do estado. O plano operativo foi desenvolvido por técnicos da Sesab, devido ao aumento de casos da Síndrome de Guillain-Barré.

O subsecretário da Saúde do Estado, Roberto Badaró, disse que a Sesab prepara unidades para atendimento aos casos. Durante as apresentações, os profissionais foram orientados quanto ao diagnóstico e também sobre a notificação da doença.

Informações sobre Dengue, Zika, Febre Chikungunya e a Síndrome de Guillain-Barré estão disponíveis no Portal da Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa) da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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