Sertões de Vicissitudes, Lirismo e Alegria

“O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, Euclides da Cunha (1866-1909)

Tão logo se iniciou a colonização nas áreas costeiras do Nordeste do Brasil, no século XVI, com a implantação da cultura de cana de açúcar, considerado o primeiro ciclo de exploração de grande importância econômica houve,  a seguir, de forma natural, o avanço em direção ao interior – às terras distantes do litoral, os sertões -, muito mais simbolicamente conhecidos pelo fenômeno das secas, e pelas condições e limitações edafoclimáticas presentes no semiárido brasileiro.

A luta do homem enfrentando as intempéries, ao longo dos séculos, dando início à formação nacional, organizando a vida urbana e rural, a partir da exploração agropastoril, tem revelado facetas distintas e valorosas, muitas vezes presentes na literatura de um Graciliano Ramos (Alagoas), José Lins do Rêgo, José Américo de Almeida e Ariano Suassuna (Paraíba), João Cabral de Melo Neto (Pernambuco), Raquel de Queiroz (Ceará), Câmara Cascudo (Rio Grande do Norte), Guimarães Rosa (Minas Gerais), Euclides da Cunha (Rio de Janeiro), Érico Veríssimo (Rio Grande do Sul), dentre tantos outros não menos ilustres intelectuais deste gigante chamado Brasil. Eles souberam traduzir na prosa e poesia a realidade campesina por vezes cruel e trágica, mas, igualmente, suas vicissitudes, o lirismo e a alegria da sua gente.

Construíram registros sociais, regados com realidades e fantasias, os quais nem sempre são vistos, analisados e discutidos nas salas de aula como componentes relevantes – além de históricos-, na edificação da nacionalidade e da cultura brasileiras. No entanto, não apenas os ditos cultos, os da Academia Brasileira de Letras, souberam retratar suas vivências com obras consagradas. E que tal, um típico sertanejo, menestrel popular?!

Patativa do Assaré, poeta matuto, também falou do seu torrão natal, fincado no coração do sertão do Nordeste, como visto no seu poema “Minha Serra”, a seguir:

“Quando o sol nascente se levanta
          Espalhando os seus raios sobre a terra,
   Entre a mata gentil da minha serra
       Em cada galho um passarinho canta.

Que bela festa! Que alegria tanta!
       E que poesia o verde campo encerra!

        O novilho gaiteia a cabra berra
        Tudo saudando a natureza santa.

         Ante o concerto desta orquestra infinda
         Que o Deus dos pobres ao serrano brinda,
         Acompanhada da suave aragem.

         Beijando a choça do feliz caipira,
         Sinto brotar da minha rude lira
        O tosco verso do cantor selvagem”.

 

 

Depois do lirismo e da alegria de Patativa do Assaré, é bom refletir: Os Sertões do Nordeste tem riquezas que engrandecem este gigante Brasil!

 

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