Rio Buranhém tem qualidade de água aceitável

Segundo análise da qualidade da água, realizada na metade do mês de julho em Porto Seguro pelo projeto itinerante da Fundação SOS Mata Atlântica, a população deve ficar alerta.

O caminhão do projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante”, da Fundação SOS Mata Atlântica, esteve na cidade de Porto Seguro entre 14 e 18 de julho, na Praça do Relógio, para sensibilizar o público sobre a conservação ambiental por meio de diversas atividades. Uma delas foi o monitoramento da qualidade da água do Rio Buranhém, realizado no segundo dia de evento, às 14h30. Após análise, o resultado apontou que a qualidade da água do Rio está ACEITÁVEL. Além disso, foi possível verificar que, no local da coleta, o cheiro vindo do Rio era péssimo; não havia uma quantidade significativa de larvas e vermes – transparentes ou escuros – benéficos para a água; o índice de coliformes totais foi positivo e uma elevada quantidade de Fosfato presente no rio.

O monitoramento da água visa analisar a qualidade dos rios, córregos, lagos e outros corpos d’água em todas as cidades por onde passa o projeto. Para realizar essa análise, a equipe contou com um kit de monitoramento desenvolvido pelo Programa Rede das Águas da própria ONG. O kit classifica a qualidade das águas em cinco níveis de pontuação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), aceitável (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos). O Rio Buranhém permaneceu no nível aceitável pela soma de 30 pontos.

Os níveis são compostos pelo Índice de Qualidade da Água (IQA), padrão definido no Brasil por Resolução do CONAMA, obtido pela soma da pontuação de 14 parâmetros físico-químicos, biológicos e de percepção, avaliados pela comunidade com auxílio do kit. Cada um destes pode aumentar de um a três pontos, obtendo um mínimo de 14 e máximo de 42. Os parâmetros são: temperatura, turbidez, espumas, lixo, odor, peixes, larvas e vermes brancos ou vermelhos, coliformes totais, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, potencial hidrogeniônico, níveis de nitrato e de fosfato.

A coordenadora do Programa Rede das Águas, Malu Ribeiro, salienta que a população deve se atentar quanto aos resultados da análise do Rio Buranhém. “Se a qualidade da água permaneceu no nível aceitável, não significa que teve um resultado positivo e sim, que está em estado de alerta. Se nada for feito, a qualidade do Rio pode piorar e agravar a situação tanto da população quanto dos outros seres vivos que habitam o local”, diz. Malu ainda explica que o Fosfato, grande poluidor das águas, está presente em abundância no Rio, e a população pode e deve contribuir para evitá-lo. “O Fosfato está na maioria dos sabões, detergentes, xampus e saponáceos – produtos químicos que usamos em casa. Para evitar que ele vá parar em nossas águas, é ideal que tenhamos consciência na hora de comprar, optando por produtos sem Fosfato”, explica. Para completar, ela reforça a importância da população exigir das autoridades locais tratamento de esgotos e investimentos em saneamento na cidade para a melhoria da qualidade da água.

Sobre o projeto itinerante:

O projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante”, da Fundação SOS Mata Atlântica, está em seu segundo ciclo anual. Até maio de 2011, visitará as regiões Nordeste, Centro-oeste e Sudeste do Brasil para conscientizar a população sobre a importância da Mata Atlântica. O primeiro ciclo anual do projeto itinerante teve início em maio de 2009 e durou até maio deste ano. Nesse período, a equipe pôde visitar 45 cidades brasileiras localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, levando informações sobre conservação ambiental e sobre a Mata Atlântica para oito estados: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais. Cerca de 170 mil pessoas puderam participar das atividades realizadas e trocar experiências com a população de outras regiões. Além disso, 40 corpos d’água foram monitorados pelo projeto, que percorreu mais de 11 mil quilômetros rodados e contou com apoio de 140 instituições ao longo da viagem. Quem tiver interesse em acompanhar as visitas do projeto em cada cidade por onde passa, deve acessar www.sosma.org.br/blog.

Sobre o Programa Rede das Águas:

Programa de informação e intercâmbio voltado à mobilização social para gestão integrada da água e da floresta, fortalecimento e aprimoramento de políticas públicas e campanhas do setor. Reúne os projetos da Fundação SOS Mata Atlântica relacionados ao tema água, como o Núcleo União Pró-Tietê que nasceu em 1991, estimulado pela campanha pela despoluição do Rio Tiête e que reuniu 1.200.000 assinaturas num abaixo-assinado entregue ao Governo do Estado de São Paulo além de disseminar metodologias. Consolidou-se como ferramenta de mobilização no setor de recursos hídricos e possibilitou o inicio das atividades de educação ambiental e mobilização ligadas ao tema água em rede social, com o Observando os Rios que é uma metodologia composta por kits de monitoramento da qualidade da água utilizada hoje em diversas bacias hidrográficas brasileiras, de dez estados do bioma Mata Atlântica ( SP, MG, PR, SC, RS, RJ, AL, CE, PE. GO e DF). Mais informações no site: www.rededasaguas.org.br/.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

Criada em 1986, a Fundação SOS Mata Atlântica é uma entidade privada sem fins lucrativos, que tem como missão promover a conservação da diversidade biológica e cultural do Bioma Mata Atlântica e ecossistemas sob sua influência, estimulando ações para o desenvolvimento sustentável, bem como promover a educação e o conhecimento sobre a Mata Atlântica, mobilizando, capacitando e estimulando o exercício da cidadania socioambiental. A entidade desenvolve projetos de conservação ambiental, produção de dados, mapeamento e monitoramento da cobertura florestal do Bioma, campanhas, estratégias de ação na área de políticas públicas, programas de educação ambiental e restauração florestal, voluntariado, desenvolvimento sustentável e proteção e manejo de ecossistemas. Para outras informações, acesse www.sosma.org.br.

Sobre o Bioma Mata Atlântica

Dentro do território brasileiro existem seis diferentes Biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pampas, Pantanal e a Mata Atlântica. O Bioma Mata Atlântica está presente em 17 estados e abriga mais de 61% da população. Atualmente, mais de 90% da floresta original foi desmatada, restando apenas 7,91% de remanescentes do Bioma. É um ponto importante para conservação mundial, ou seja, um Hotspot, uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta e também decretada Reserva da Biosfera pela Unesco e Patrimônio Nacional, na Constituição Federal de 1988. Das 633 espécies de animais ameaçadas de extinção de todos os Biomas do Brasil, 383 ocorrem na Mata Atlântica.

Fonte: Lead Comunicação e Sustentabilidade

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