Renascer das Cinzas

Hamilton Farias de Lima, professor universitário.

“Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço”, (1889-1957), Gabriela Mistral.

A sociedade brasileira tem assistido a um quadro teatral trágico, constituído de atores travestidos de aparentes “gente de bem” (autoridades/instituições, elite empresarial, e tantos outros), sem jamais haver sido consultada a participar ou opinar, com desfecho em finale do que há de pior, uma grotesca e revoltante farsa que destrói a cada dia a reputação do País.

Que saudades do Brasil, a potência mundial emergente havida no alvorecer do século XXI como uma das nações mundiais a trilhar os caminhos do desenvolvimento; uma democracia recém – organizada e que retornara, há pouco, à plenitude democrática, um sinal de novos tempos para os brasileiros e a servir de exemplo para os sofridos povos latino-americanos!

Naqueles momentos – de vida nova, ressurgente -, o Gigante Continental em muito se assemelhava à mitológica Fênix que, via autocombustão, renasce das próprias cinzas! E foram tantos os sofrimentos para se chegar até então, que o digam os de maior experiência!

O grande poeta Castro Alves, no seu épico “Navio Negreiro”, um dos mais consagrados poema contra a vil escravidão, em dado momento do seu libelo, descreve a calmaria que antecede a procela, quando escreveu: ‘Stamos em pleno mar… Abrindo as velas/ Ao quente arfar das virações marinhas,/ Veleiro brigue corre à flor dos mares, /Como roçam na vaga as andorinhas “…

Quanta similitude entre a estrofe nominada e às temerárias navegações a que foram conduzidos os passageiros da nave Terra das Palmeiras; de inicio a impressão de calmaria e, a seguir, o quadro reinante tempestuoso e de destruição, uma vez desnudadas as faces sombrias dos energúmenos, aproveitadores, até então havidos como seus brilhantes e capazes tripulantes.

Que sejam chamados à responsabilidade – ora “gregos ou troianos”, ora quem responsável for -, às barras dos tribunais; sim, é a condição para que o “veleiro brigue” volte a correr “à flor dos mares”, como a ressurgir para os seus anseios de vida social com dignidade e justa grandeza, em direção a um porto seguro!

No Brasil, dos dias atuais, há que se acordar o “gigante adormecido” para que o advir possa ser  diferenciado, pela adoção a mais irrestrita dos códigos da ética e da moral, e em beneficio do amanhã  das futuras gerações.

O quadro é de tamanha sordidez que não se pode aguardar muito tempo. Isto requer uma limpeza geral, de tal forma e extensão que a ninguém é permitido se omitir-, e que cada um contribua para as mudanças indispensáveis, relembrando aqui como já assinalado nas palavras de Martin Luther King: “Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam”.

Os desejáveis avanços que a sociedade brasileira está a apontar – esta, sim, representada pela maioria respeitável, digna e trabalhadora -, em busca da prosperidade geral, não significam nada em relação a propósitos irrealizáveis. Seus sonhos permeiam o inconsciente coletivo brasileiro de trabalho, educação, oportunidades de bem-estar, pluralidade de ideias, crença na diversidade cultural, respeito à liberdade de opinião e o apoio às indispensáveis práticas democráticas.

E isto é, tão somente, o começo para um renascer das cinzas

 

 

 

 

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