Relacionamento

Algo é modificado, alguma coisa é acrescentada na cena da vida de solteiro, agora estava ali na sua mão: um relacionamento para completar o quadro e tinha ainda a varanda, tinha o luar, mas faltavam as histórias que só o tempo trará. Sentou-se num tamborete, fincou os cotovelos nos joelhos apoiou o queixo nas mãos e ficou olhando para ela. Sexo, dinheiro, filhos, confiança, gostos.

Pensou por um instante em tudo isto e era até difícil entender se ela era, de fato, inteligente. Mas a luz estava onde ela estava, e ela era o quadro. Tinha a sombra de ouro. Se você quer alguém, nunca desmascare seus sonhos. O maior, e mais ilógico, é você. E o pensamento desapareceu em algum lugar.

Ela senta-se diante da mesa da varanda, inclinada para um lado, a cabeça descansando no antebraço. Então, olha para ele o modo como fala, seu olhar e as marcas do relacionamento começam junto com as suaves luas crescentes que aparecem no céu.

As palavras e os pensamentos não se referiam a nada mais que a coisas relacionadas com banalidades, o que faz? onde mora? Sentia por dentro, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, inconscientemente, esse jogo de um ritmo imperceptível, como um lento, lento bailado.

Mas irá envelhecer tudo o que tem de envelhecer e para não estagnar no tempo, a dinâmica da relação tem de evoluir. A conversa não pode ser imutável. Ela rezava para
encontrar um modo de viver que “conciliasse as tradições de sua família”. Ele busca nela
outras verdades, além daquela do dia a dia.

A vida tão alegre como solteiro mudou de cor, o bonito viver se transformou em um viver belo condicionado a felicidade do outro.. É assim que será e precisa ser, ainda com felicidade e momentos de alegria, mas com o peso da responsabilidade a vida colocada entre parênteses. Precisava de tempo nessa transição entre a liberdade de solteiro e o campo do amor a dois. Existe sempre uma zona de penumbra pois são dois seres únicos e diferentes.

Mas em que me hei de apoiar, na individualidade ou na felicidade do outro? Apenas o amor tem a resposta. O amor não dá o poder! É o coração que dá a força e não o cérebro para perder o egoísmo da individualidade.

O lugar que o outro vive dentro de nós é atacado por muita coisa na vida; se ele cair da alma, ficará uma chaga! É preciso inventar sempre uma fórmula nova e afastar a falta de admiração. A convivência avança em estágios, mas avança, e vemos os resultados disso, mas para avançar é necessário sempre reconquistar o fio que ligava as primeiras emoções da admiração, não deixando esta luz apagar, já que um relacionamento constante e duradouro é raro neste mundo inconstante.

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