Receita para inimizades

“Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor. Pelo contrário: ‘Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele’.”  (Romanos 12.19-20)

A vida cristã é desafiadora em vários sentidos. Ontem vimos que é nosso dever fazer todo o possível para viver em paz com todos. E hoje o texto bíblico nos lembra que haverá quem buscará guerra conosco e agirá para nos atingir, para nos ferir.
Embora nossa reação natural seja desejar vingança, desejar que o outro sofra e pague o mal que nos fez, o Evangelho nos pede para abrir mão e deixar tudo com Deus. O nosso desafio é sermos amorosos.

O texto de Romanos, eu não sei se você vai concordar comigo, até que parece oferecer algum consolo, diante desse ato de não dar lugar à ira. Afinal, afirma o texto que não devemos nos vingar, mas deixar a vingança com Deus. Bem, em tese, Ele pode nos dar uma vingança bem melhor que a nossa própria! Há salmos em que os salmistas pedem a Deus essa vingança!
E a ideia de dar comida e água ao nosso inimigo e, com isso, amontoar brasas vivas sobre a cabeça dele até que nos parece uma boa estratégia!
Mas, vamos com calma (lá no interior se diz: devagar com o andor, que o santo é de barro),  pois essas ideias não se harmonizam com o Evangelho e certamente não fazem parte do texto. Parece-me aqui que a ideia é deixar que Deus lide com o nosso inimigo. E lembremos que, sendo inimigos de Deus, nós fomos amados e reconciliados com Ele. Neste caso, a atitude cristã esperada é que Deus lide com o nosso inimigo assim como lida conosco. Qualquer coisa além dessa não nos caberia esperar.

Lembremos que Jesus disse que nós devemos imitar os atos misericordiosos do nosso Pai Celestial (Lc 6.36), e não esperar que Ele, o Pai realize por nós o nosso desejo de vingança.
E, quanto às brasas vivas sobre a cabeça, entendo-as como os efeitos de um  testemunho poderoso, um questionamento à consciência como resultado de uma reação inesperada. A reação amorosa quebra a lógica do ódio, da maldade e do poder.
Quando agimos guiados pelos valores do Reino de Deus, participamos dos métodos e processos divinos. É assim que seguimos verdadeiramente os passos de Jesus e nos revelamos seus discípulos. E tudo isso é o que compõe a liturgia da vida cristã sobre a qual temos falado.
Espero sinceramente que você não tenha inimigos e não precise lidar com pessoas que se façam suas inimigas. Mas, se isso acontecer, siga a recomendação desse texto. Eu vou procurar fazer o mesmo.

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