Programa Arboretum: veja situação da Mata Atlântica no Extremo Sul

Mudas produzidas pelo Arboretum. Fotos: reprodução

O Dia da Árvore surgiu por meio da indignação de Julius Sterling Morton, ao se dar conta de que o seu Estado, Nebraska/EUA, estava sendo devastado. Decidido a mudar aquela situação por conta própria realizou o plantio de inúmeras árvores, estabelecendo, assim, o “Arbor Day”, ou “Dia da Árvore” em tradução livre.

No Brasil, o Dia da Árvore foi estabelecido pelo Decreto-Lei 55.795, assinado pelo presidente Castelo Branco, no início do período da Ditadura Militar, em fevereiro de 1965, estabelecendo que no dia 21 de setembro, um dia anterior a chegada da primavera, seria comemorado o Dia da Árvore, a fim de conscientizar a sociedade a respeito da preservação e cuidado com as florestas e meio ambiente.

Preparo de sementes

E essa discussão foi fomentada pelo Jornal OSollo, que procurou o Programa Arboretum para falar sobre a situação da Mata Atlântica no Extremo Sul, região que possui um dos principais corredores de floresta da Bahia.

Vale pontuar que a preservação dessa área se torna extremamente difícil, visto que, com o desmatamento e crescente urbanização, uma considerável parte dos remanescentes de Mata Atlântica que aqui havia não existem mais. E, ao mesmo tempo, há a falta de conscientização sobre a importância dos serviços ambientais que estás florestas representam: controle e índice de chuva, microclima, regulação de água, referente a qualidade e quantidade, entre outros serviços ambientais imprescindíveis para que a população possa manter a qualidade de vida.

Para auxiliar nesta preservação, o Programa Arboretum de Conservação e Restauração da Diversidade Florestal, idealizado por Natalia Coelho, analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Ambientais (IBAMA), tem a sua atuação voltada para toda a cadeia de restauração florestal, desde a marcação de matrizes até o monitoramento de plantio.

O programa é proposto pelo Serviço Florestal Brasileiro, com apoio do Ibama, e foi viabilizado por meio de um TAC pelo Ministério Público do Estado da Bahia, sendo gerido por um Conselho Gestor, composto pelo Serviço Florestal Brasileiro-MAPA, Jardim Botânico do Rio de Janeiro – Centro Nacional de Conservação da Flora, EMBRAPA – Tabuleiros Costeiros, Instituto Federal Baiano, Universidade do Estado da Bahia e Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia – SEMA.

Doutor Fábio Fernandes, promotor de justiça

Este programa é considerado uma ação estruturante, já que possibilita que a restauração de áreas degradadas ocorram com mudas e sementes de origem e qualidade conhecida. O Arboretum trabalha com mais de 500 espécies da Mata Atlântica, sendo este o maior em diversidade de espécies no Brasil. Possibilitando, assim, que essas restaurações sejam feitas com a diversidade que a floresta exige.

De acordo o doutor Fábio Fernandes, promotor de justiça membro da supervisão executiva-financeira do Arboretum, “a Mata Atlântica é considerada um hotspot de conservação mundial. Isso porque é um bioma extremamente ameaçado e com uma constante pressão sobre os seus remanescentes. Falando sobre o Extremo Sul do estado da Bahia, temos uma situação em que os municípios apresentam menos de 1% dos remanescentes originais da Mata Atlântica, exemplo disso é a cidade de Medeiros Neto. Porém, por outro lado, temos maciços florestais muito importantes como cerca de 2 mil hectares de vegetação nativa existentes no assentamento de reforma agrária em Mucuri.”

Ele cita ainda que quando falamos em remanescentes é importante pontuar que essa floresta traz junto os seus animais. “Estes animais, nós passamos agora por um período que se chama ‘desfaunação’, que é quando, apesar de se ter uma floresta, não há mais os animais que ali habitam. Infelizmente, temos uma situação de caça esportiva ou mesmo pessoas que fazem nisto um meio de vida, o intuito de caçar, por exemplo, tatu, paca… e vender a carne desses animais, além de trazer um prejuízo ambiental incalculável – já que estes animais podem ser responsáveis, por exemplo, por levar as sementes de árvores para outros locais, então o próprio reflorestamento natural acaba não acontecendo”, explica a’OSollo dr. Fabio.

 

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