Peste negra e ameba ‘comedora de cérebros’: novas epidemias? Entenda

Casos de peste bubônica na Mongólia Interior e da ameba nos EUA acenderam alertas, mas não é tão grave quanto parece

Imagem: Reprodução/Olhar Digital

A pandemia de covid-19 é nossa maior preocupação no momento, mas não é a única doença assustando populações pelo mundo.

Nos Estados Unidos, autoridades de saúde da Flórida confirmaram um caso de uma rara ameba “comedora de cérebros”.

Já na Mongólia, dois casos de peste bubônica obrigaram o governo local a isolar a região de Khovd.

O caso da Flórida é muito raro. Funcionários do Departamento de Saúde do estado confirmaram que uma pessoa do condado de Hillsborough contraiu Naegleria fowleri, uma ameba unicelular microscópica que causa infecção no cérebro.

Essa ameba costuma habitar ambientes de água morna e entra no corpo humano pelo nariz.

Esse tipo de infecção (meningoencefalite amebiana primária) é mais comum em estados do sul dos EUA, mas ainda assim é muito rara: foram 37 casos na Flórida desde 1962.

Porém, suas consequências são potencialmente fatais, então o governo estadual emitiu um alerta para os moradores de Hillsborough na sexta-feira passada (3).

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Doença causada pela Naegleria fowleri tem alto índice de letalidade. Imagem: Getty Images/BBC

Casos de infecção por Naegleria fowleri são mais comuns nos meses mais quentes do ano e geralmente acontecem em rios, lagoas e canais.

Os contaminados apresentam náusea, vômito, febre, rigidez na nuca e dores de cabeça. A maioria morre em até uma semana – por isso o alerta para os moradores.

No entanto, a doença não é transmitida de uma pessoa para outra, então não há risco de epidemia.

O mesmo não pode ser dito da peste bubônica. Conhecida também como peste negra (aquela das “máscaras de tucano”), a doença dizimou milhares de pessoas na Europa durante a Idade Média.

A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis, e pode matar em cerca de 24 horas. A doença é transmitida por pulgas, e é mais comum em locais com alta incidência de roedores, hospedeiros naturais dos insetos contaminados.

Y. pestis circula pelo mundo há pelo menos cinco mil anos.

A preocupação das autoridades da Mongólia Interior (região autônoma entre a Mongólia e a China) é que os dois pacientes infectados – um homem de 37 anos e uma mulher cuja idade não foi divulgada – contraíram a forma pneumônica, a mais severa da doença.

Assim como o coronavírus, ela pode ser transmitida entre humanos por inalação de partículas contaminadas.

Os pacientes estão em tratamento. No entanto, estima-se que eles tiveram contato direto ou secundário com ao menos 650 pessoas desde que contraíram a peste, o que motivou o governo local a isolar a área.

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Yersinia pestis, bactéria causadora da peste bubônica. Imagem: Divulgação/Science

Quatro outros casos de peste bubônica foram registrados na Mongólia em novembro do ano passado.

Tanto naquela ocasião quanto nos casos atuais, os infectados estavam em regiões com grande circulação de roedores.

As autoridades acreditam que a ingestão de carne crua de marmota gerou a infecção. Mesmo com orientações para evitar o consumo, parte da população local mantém o costume por acreditar que a ingestão de partes do animal faz bem à saúde.

De acordo com um artigo publicado na revista Biossegurança e Saúde por pesquisadores do Centro Geral de Controle e Prevenção de Doenças da Mongólia Interior, o primeiro registro da enfermidade nas estepes asiáticas é de 1644.

Entre 1901 e 1949, houve 41 surtos e pelo menos 80 mil mortes. A região estava livre da peste desde 2004, até os casos de novembro de 2019.

Apesar da gravidade da doença (100% dos pacientes sem tratamento morrem), o artigo demonstrou que, pelo menos nos casos de 2019, não houve disseminação entre humanos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), há de mil a dois mil casos anuais de peste bubônica no mundo.

A doença já foi detectada em 38 países desde o século passado, inclusive no Brasil. Epidemias foram registradas no Peru, Madagascar e República Democrática do Congo.

O tratamento é feito com antibióticos e, se iniciado cedo, a chance de cura é alta.

Considerando os avanços da medicina, outro surto como o que dizimou de 30% a 50% da população europeia é improvável nos dias atuais.

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Fonte: Olhar Digital

Via: G1/Correio Braziliense

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