Pente fino da Lava Jato chega a políticos do Extremo Sul Baiano

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BAHIA — Nem o carnaval de Salvador fica fora da lista de irregularidades ocorridas na Petrobras nos últimos anos. Se nos últimos dois anos a Lava-Jato revelou um esquema multibilionário envolvendo obras da estatal, apurações internas feitas recentemente pela companhia revelam outra faceta da farra que ocorreu por lá nos anos de vacas gordas.

Uma das apurações mostra que políticos, dirigentes da estatal e até o ex-secretário particular da presidente afastada, Dilma Rousseff, assistiram de camarote à festa às custas da petrolífera. E ainda sobrou dinheiro para bancar um trio elétrico que tem como maior estrela a prima de um ex-dirigente da estatal. Agora, a Petrobras diz que tentará obter o ressarcimento dos prejuízos.

Carnaval na Bahia

Outra investigação interna da Petrobras descobriu gastos de R$ 1,15 milhão com ingressos do carnaval baiano, entre 2011 e 2013. Cinco empresas foram contratadas nesses anos com a finalidade de conseguir ingressos para os melhores camarotes da folia. Os auditores questionaram a distribuição dos ingressos, uma vez que a justificativa para aquisição era “ação de relacionamento com o público de interesse da Petrobras”.

A distribuição de ingressos pela Petrobras privilegiou políticos baianos. Jânio Natal, deputado estadual pelo PTN, ex-prefeito de Belmonte de Porto Seguro, que teria recebido 72 entradas só em 2011. Ele reconheceu ter pedido, mas diz não se lembrar de quantos recebeu. “Se recebi, foram para políticos e pessoas ligadas ao governo, até pessoas da própria empresa. Se foram 20, 15, 50, 72, eu não me lembro”, disse.

Jânio Natal em 2012 teve três contas rejeitadas. Duas pelo TCE – Tribunal de Contas do Estado e uma pelo TCU – Tribunal de Contas União, mas, apesar de ter sido rejeitado pelo TCU, suas contas foram aprovadas pela Câmara de Vereadores. Possivelmente será candidato à prefeitura de Belmonte em 2016.

Jonas Paulo, chefe do escritório de representação do governo da Bahia em Brasília, teria recebido 42 ingressos ao longo de três anos. Ele nega que sejam tantas entradas: “Queria eu ter recebido!”. O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) foi o primeiro colocado entre os políticos, com 118 ingressos nos anos de 2009, 2011 e 2013. 

FILHO DE GABRIELLI

Funcionários da Petrobras e seus parentes também curtiram o carnaval baiano com dinheiro da estatal. Gabriel Mendes, filho de Gabrielli, teria recebido 52 ingressos em 2011 e 2013. “Meu filho participou do carnaval, mas não acredito que tenham sido tantos ingressos. Provavelmente estão sendo computados vários dias e várias pessoas”, disse Gabrielli.

Parentesco

Responsável pela contratação das empresas e distribuição das entradas, Darcles Andrade de Oliveira, ex-gerente de Comunicação da estatal para o Nordeste, e primo do deputado Jânio Natal, ficou com 1.045 entradas em três anos. Outras 1.267 foram distribuídas para outros funcionários da companhia.

Citado na Lava Jato

Até agora, o ex-gerente de Comunicação da Petrobras, Darcles Andrade, que já se aposentou, tinha pretensões de se candidatar para prefeito na cidade de Itapebí. Com o seu nome citado pelas investigações da Operação Lava Jato, as chances de Darcles se lançar em uma campanha política diminuem consideravelmente.

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A auditoria decorreu de uma reportagem publicada pelo GLOBO em 2014, revelando que Darcles era dono de dois postos contratados por prefeituras baianas ao mesmo tempo que era o responsável por direcionar verbas da estatal para elas. A Petrobras decidiu então fazer um pente-fino na gestão de Darcles, chegando aos relatórios obtidos agora pelo GLOBO. No total, foram 12 encontradas “não conformidades”. Os auditores questionaram a interferência indevida na concessão de patrocínios, os pagamentos sem a comprovação de serviços, a concentração de contratos para um grupo restrito de empresas, entre outras irregularidades. O GLOBO não encontrou Darcles.

Procurada, a Petrobras informou que “suspendeu a compra de convites e outras formas de participação no carnaval da Bahia, mantendo apenas apoio aos blocos afro”. A empresa decidiu ainda centralizar na sua matriz “a exigência de contrapartida em ingressos em seus patrocínios e todas as contratações da área de comunicação”. A expectativa é concluir até agosto as apurações. “A Petrobras tomará todas as medidas legais para buscar o ressarcimento de danos, além de encaminhar esse material aos órgãos de investigação competentes para futuras ações na Justiça”, diz trecho da nota.

*Com informações de O Globo.

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