Para superar a divisão

“Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês.”

(1 Coríntios 1.11)

A notícia que chegou a Paulo o deixou muito preocupado. A igreja em Corinto estava dividida.
Dividir só é bom se forem as dores ou as alegrias. Divisões desse tipo multiplicam a comunhão, o cuidado, o amor, a cooperação. E essas coisas multiplicadas nos fortalecem.
Mas a divisão naquela igreja era do tipo que separa as pessoas. Cada uma tinha seu grupo. Esse tipo de divisão enfraquece. Quando numa igreja, grupos divididos se fortalecem, se equipam e passam a se articular uns contra os outros, a igreja padece. Há um senso que garante a saúde do nosso corpo, que poderíamos chamar de senso de pertencimento. Nosso corpo físico está unido por esse senso. Não há egoísmo. Toda a energia do corpo é guiada por esse senso de pertencimento. Há um cuidado que envolve todo o corpo. Nenhuma parte vive para si. Nas relações, isso precisa ser aprendido, pois não é natural.

Paulo procura ensinar isso e usa a imagem de um corpo como figura para a igreja – “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (1 Co 12.27). Paulo ensina que o corpo funciona e é saudável quando cada parte realiza sua função. E não se trata de um funcionamento isolado, que diz respeito somente a interesses e objetivos isolados, mas um funcionamento com sincronia e sintonia. No corpo que a igreja deve ser, a cabeça é Cristo.
A submissão do corpo físico à cabeça é parte natural de sua constituição. Quando algo vai mal nisso, os sinais são claros no corpo. A submissão da igreja a Cristo é de outra ordem. Essa submissão é um aprendizado para a vida toda. Há muitas coisas a serem aprendidas.
Na igreja de Corinto todos achavam que tinham razão para agir como estavam agindo. É sempre assim. E por isso a divisão continuava. Nas relações, a unidade sempre vai requerer humildade, a capacidade de ceder, de ouvir, de dialogar. Normalmente percebemos a falta disso no outro e quase nunca em nós mesmos.

O potencial de uma igreja depende de sua saúde como corpo. Com tanta necessidade de ser luz e sal, com tantos desafios para enfrentar, quando dividida ela minimiza seu potencial e desperdiça recursos e oportunidades.
Creio que a diversidade de ações e estilos seja o ambiente natural da igreja. Creio que a multiplicidade de vozes e compreensões da vida seja algo permanente em qualquer ajuntamento de pessoas, inclusive na igreja. E isso nos coloca em conflito e nos divide. Logo, estamos condenados a viver divididos?
Não. Porque somos filhos do Evangelho da reconciliação. Nele somos orientados a amar, e o amor cria possibilidades que superam dificuldades. Ele nos ensina a discordar sem ferir, sem condenar, sem “cancelar” o outro. Ele nos ensina a cooperar!
Submeter-se a Cristo, que é a cabeça, não é simples, embora todos concordemos com a ideia. Que melhoremos; do contrário, lamentaremos.

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