Pandemia de Covid-19 causa mudança na rotina de comunidades indígenas do extremo sul

Aldeias estão sem receber visitantes e comemorações do Dia do Índio estão canceladas

Pandemia de Covid-19 causa mudança na rotina de comunidades indígenas do extremo sul
Reserva indígena da Jaqueira, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

Comunidades indígenas do extremo sul da Bahia realizaram mudanças na rotina por causa da pandemia do coronavírus. No estado, até este sábado (18), o número de pessoas infectadas pela Covid-19 passava de 1.100, com 38 mortes.

Em Porto Seguro são 20 aldeias e em Santa Cruz Cabrália, ao lado de Porto, tem 8 aldeias. Elas fazem parte do roteiro turístico das duas cidades baianas e as visitas aos locais estão suspensas. A medida já havia sido determinada pelo governo do estado para evitar a disseminação do coronavírus.

Houve mudança na rotina dos indígenas das aldeias baianas. Além disso, eles suspenderam as celebrações do Dia do Índio nas comunidades, apesar de não haver registro de índios da região infectados pela Covid-19.

Pandemia de Covid-19 causa mudança na rotina de comunidades indígenas do extremo sul
Reserva indígena da Jaqueira, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

Para os povos do sul da Bahia, este ano, a conscientização será a principal comemoração do Dia do Índio, celebrado sempre em 19 de abril.

“Normalmente, nesse período, as aldeias já estavam se preparando para se reunir, programar os jogos, as atividades com crianças e saberes dos mais velhos serem compartilhados, e infelizmente, com essa pandemia, tivemos que cancelar este evento importante paro nosso povo”, concluiu o cacique Pataxó.

Mudanças

Na reserva indígena da Jaqueira, em Porto Seguro, a primeira medida preventiva tomada pelo cacique Siratan Pataxó foi fechar os portões da aldeia com correntes para ninguém entre ou saia do local.

“Não recebemos mais o visitante por esta situação que tá no mundo todo e foi uma decisão da comunidade por uma questão de saúde”, disse.

Só quem tem autorização para entrar na aldeia é a equipe da Secretaria Especial de Saúde Indígena.

“Eu tenho entrado de vez em quando pra trazer a medicação de idosos hipertensos e diabéticos”, Como atendo várias aldeias estou suscetível a trazer doenças, por isso uso máscara, toucas, jaleco e luvas para proteger eles que estão isolados”, explicou a enfermeira Vanessa Sena.

O cacique abriu uma exceção na entrada de visitantes para a equipe de reportagem da TV Santa Cruz, filiada da TV Bahia no sul do estado. Entretanto, repórter e cinegrafista tiveram que adotar cuidados como usar máscaras e ficar a dois metros dos índios.

Os índios explicam que como as visitas foram suspensas há um mês e seis dias, eles não têm o dinheiro da taxa de visitação, mas as 34 famílias que moram na aldeia da Jaqueira, sobrevivem se alimentando com o que vem da pesca e da horta feita por eles.

Na cidade vizinha, em Santa Cruz Cabrália , o secretário municipal de assuntos indígenas, Juari Pataxó, diz que o trabalho de prevenção feito pelos índios tem dado resultado.

“As lideranças tomaram posição e fizeram o isolamento. Só sai ou entra com autorização”, explica.

Fonte: G1 Bahia

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