Ouvir e escutar

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno.” (Salmos 139.23-24)

A maioria de nós não ouve bem. A condição auditiva, na maioria de nós, está irremediavelmente prejudicada. Nosso mundo é muito barulhento e reagimos a isso elevando o nível dos sons que nos interessam. Um bom exemplo é uma festa: quando a música está alta, todos falam gritando para se escutarem. E quanto mais barulho de vozes, mais o DJ aumenta o volume da música. Quanto mais elevado o volume da música, mais alto falamos, e assim uma coisa alimenta a outra. Inventamos os headphones e ouvimos músicas e conversas em volume muito elevado. Nosso aparelho auditivo é sensível e vai se desgastando aceleradamente com tudo isso. Mas esse não é o maior problema. O pior é nossa limitação em escutar enquanto ouvimos.

Ouvir tem a ver com ouvido, a captação de sons. Escutar tem a ver com atenção em ouvir. Escutar exige uma mente comprometida, num nível de interação não apenas superficial. Neste mundo de tantas informações e estímulos, grande parte de nós tem muita dificuldade em dedicar atenção prolongada. Nossa mente se desliga e vai para outro lugar. Mente e corpo no mesmo lugar é uma experiência cada vez mais rara hoje em dia. Isso dificulta a escuta. Ouvimos uma palestra, um sermão, mas não escutamos. E não escutar bem dificulta orar. Ou nosso interlocutor nos diverte para capturar nossa atenção, ou não a terá. É preciso muito som, muita luz, muito movimento, muitas risadas ou muito choro para nos manter atentos. E se Deus vier a nós falando como “um murmúrio de uma brisa suave”, como fez com Elias no Monte Horebe? (1 Rs 19.12). Ou Ele escolhe outra forma de falar ou o deixaremos falando sozinho. E muito de nós tem deixado.

Sabe de uma cosia? Nossa espiritualidade é muito afetada por nossa escuta fraca. Ela é afetada por nossos hábitos e, às vezes, desatentos a isso, vamos nos enfraquecendo para a experiência da devoção. Orar como o salmista exige a capacidade de escutar, sentir, perceber. Pratique mais momentos de escuta com Deus. Pense mais calmamente. Leia dedicando toda a sua atenção. Quando o gelo é fino, é preciso patinar sobre ele com mais velocidade. Quanto mais apressamos, mais alimentamos a superficialidade. Releia o verso de hoje calmamente. Pense um pouco sobre ele. Não tenha pressa em seus momentos de conversa com Deus. Aprenda a escutar. Certa vez perguntaram a madre Tereza de Calcutá o que ela dizia a Deus quando orava. Ela respondeu: “Nada. Eu só escuto!”. Que aprendamos a escutar.

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