Orfandade histórica e policrômica

Hamilton Farias de Lima, professor universitário

“O líder é um vendedor de esperanças”, Napoleão Bonaparte (1769-1821).

A tragicomédia, uma representação teatral cultivada há milênios, desde o mundo grego aos tempos hodiernos, nos quatro cantos do mundo dito civilizado, é uma forma de expressão artística a apresentar e discernir sobre momentos da realidade social. Nela se vai do ruim ao indesejável, e, por vezes, de forma cômica e risível. Na vida social brasileira, ela tornou-se lugar comum e o povo assiste entre pasmo e indignado os que a encenam e praticam, num desfile incomum de práticas marginais.

Já se afirmou que entre as deformidades morais de uns e seus comportamentos delituosos encontram-se a falta de caráter e a prática do ganho fácil, alimentado pela impunidade presente no ambiente social. Por sua vez, só recentemente a extensão criminosa da marginalidade e de sua face obscura estão a ser revelados, quando de há muito se percebia a existência de corruptos e corruptores entranhados no poder brasileiro, em seus variados níveis.

A gestão da coisa pública (res publica) exige o comprometimento moral, o cuidado com a destinação dos recursos, a transparência e a publicização dos atos, na forma das leis e das normas que regem a administração do Estado. Isto se realiza através dos atores competentes escolhidos para representar a sociedade, ou daqueles outros designados para tal mister,em todos os níveis, e, aí, cabe questionar o porquê dos desvios, dos enriquecimentos ilícitos, da apropriação indébita dos valores destinados aos variados fins como: Educação, Saúde, Obras infraestruturais etc.

Há um consenso de ampla aceitação relacionado ao desenvolvimento de um povo em que os avanços materiais, a qualidade de vida e a superação de obstáculos se vincularam às ações de lideranças que se prestaram muito mais aos atos de servir do que serem servidos. Todas elas impregnadas de elevados valores morais, de virtudes a serem empregados para o bem comum, a exemplo de Mahatma Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela que enfrentaram com esforço, trabalho e dedicação os problemas de suas gentes e, por isso, o reconhecimento de suas efetivas lideranças, o nome na história.

De há muito, comenta-se a inexistência de lideranças no cenário político nacional a explicar descaminhos; para alguns efeitos subsequentes aos idos de 1964 – e lá se vai meio século -, e, assim, tem vivido o País. Há um quadro real de pobreza de lideranças, em todos os setores da vida social brasileira, o que retrata verdadeira orfandade histórica e policrômica, quando o Brasil está a requerer firmes timoneiros para alcançar seu futuro de grandeza.

A inquietude natural dos jovens tem reclamado por mudanças, à sua maneira; a sociedade brasileira igualmente tem ido às ruas reivindicando por dias melhores e, aqui, é bom lembrar que “Nada resiste a essa força invisível e misteriosa que se chama opinião pública”, como afirmava Napoleão Bonaparte.

É chegado o tempo de novas lideranças, da geração de pessoas imbuídas do servir ao público e de promover o bem-estar social, ao tempo de se priorizar a Educação como a mola propulsora da formação dos cidadãos; e que se faça da probidade administrativa o caminho correto do bom emprego dos recursos e dos seus fins sociais.

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