O segredo messiânico

“Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei. Justamente naquela hora, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou: ‘O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus!’ ‘Cale-se e saia dele!’, repreendeu-o Jesus.” (Marcos 1.22-25)

Estes versos representam o que muitos estudiosos identificam e chamam no Evangelho de Marcos de “o segredo messiânico”. Sempre que Sua identidade era revelada por alguém ou poderia ser revelada, Jesus impedia ou desaconselhava. Na narrativa de Marcos, quando curava alguém, Ele proibia que o fato fosse divulgado. Um exemplo está ainda no primeiro capítulo, quando Jesus cura um leproso que lhe suplica de joelhos: “Se queres, podes purificar-me” (v.40). Ele, “cheio de compaixão”, respondeu: “Quero. Seja purificado.” E, imediatamente o homem ficou liberto da lepra. E então, diz o texto, “Jesus o despediu com uma severa repreensão: não conte isso a ninguém” (v.43). O que causa estranhamento é que naturalmente nos parece que o melhor seria que o homem testemunhasse, e levasse todos a saberem do poder de Jesus! Esta seria uma excelente oportunidade para espalhar o Evangelho! É como pensamos.

O segredo messiânico nos Evangelhos sempre me leva a pensar sobre nossos caminhos e os caminhos de Deus, que segundo o texto de Isaías 55, especialmente no verso 8, são bem diferentes. Usando nossa lógica, acabamos sempre pensando de maneira diferente da que Deus pensa. Nossa coerência, nosso bom senso, pode ser que sejam incoerência e insensatez aos olhos de Deus. Eis porque nossos julgamentos são tão perigosos. O sacerdote Eli julgou Ana como sendo uma mulher embriagada, quando na verdade era uma mulher quebrantada (1 Sm 1.13-15). O profeta Natã, apressadamente, aprovou os planos do rei Davi de edificar um templo a Deus. Mas não era essa a vontade divina, e precisou voltar e dizer ao rei que não poderia faze-lo (1 Cr 17.1-4). Os discípulos pensaram em destruir uma vila de samaritanos, impediram alguns de expulsar demônios em nome de Jesus e acharam que a mulher que ungiu os pés de Jesus estava fazendo algo impróprio. Em todas essas ocasiões estavam errados aos olhos de Jesus!

Por que Jesus repetidamente impede demônios de expor sua identidade e manda que pessoas que experimentaram Seu poder guardem segredo? Revelando uma estratégia estranhamente oposta à que naturalmente adotaríamos? O Reino de Deus veio a nós, está entre nós, mas é e sempre será um mistério. Para crescermos no conhecimento e no seguimento a Cristo neste Reino, de modo a sermos sinais deste Reino, mais ajuda um coração quebrantado que um coração empolgado. É a humildade e não autoconfiança, que nos ajuda a acertar! Algumas vezes nosso coração deverá estar angustiado por dúvidas e incertezas, para que sejamos guiados pelo Espírito de Deus. O Reino de Deus sempre será estranho a nós e seguirá caminhos diferentes dos nossos. Nele, os fracos é que são fortes e os últimos, os primeiros. Por isso, ore mais, ouça mais e, sobretudo, ame mais. No Reino de Deus costumamos sempre acertar quando agimos movidos pelo amor.

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