O orgulho do Fariseu

“O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’.” (Lucas 18.11-12)

O fariseu está no templo e está orando. Mas seu coração é mal e impróprio. Ele fala de gratidão a Deus, mas está cheio mesmo é de vaidade e orgulho. Está dominado pela presunção. Pensa que é bom o bastante para estar ali. Pensa que é melhor que os demais e, em especial, que o publicano. Ele já começa errado: agradece por não ser como os demais homens. Somos todos iguais, pois apesar das diferenças que podem valer entre nós, nenhuma delas vale diante de Deus. E ele está diante de Deus. Ele aponta os males dos outros. Reconhece ladrões, corruptos, adúlteros e em sua mente o publicano é igualmente reprovável. Mas a si vê como justo, bom e reto. Suas orações e jejuns não o ajudavam a reconhecer suas maldades e seu dízimo o fazia alguém especial. Quando nosso coração é dominado pelo orgulho e presunção, ele transforma o bem em mal e anula toda a virtude de nossa religiosidade.

O que há em nosso íntimo? São muitas as possibilidades. O interior de cada um de nós é um lugar amplo e, como disse alguém, há corredores escuros. Jesus está sempre chamando nossa atenção para este lugar secreto, pois é lá onde tudo acontece de verdade (Mt 6.22-23). É de lá que vem os males que nos tornam impuros aos olhos de Deus e contaminam nossa vida (Mc 7.21-23). É lá também o lugar sagrado em que devemos guardar os atos bons que praticamos, em lugar de pretender que sejam vistos pelas pessoas para que nos admirem (Mt 6.3-4). Porque se agirmos assim, contaminamos o nosso íntimo. Tornamos algo precioso em algo vil. As pessoas não podem ver nosso interior e nem nós o interior delas. Por isso a confiança é fundamental em nossos relacionamentos. Mas Deus pode ver o nosso interior. Ele é cheio de graça e de misericórdia e quando vê que as coisas não estão corretas em nosso interior, Ele age para que mudem nos chama ao arrependimento.

Há atitudes que nos fazem surdos à voz de Deus e cegos aos Seus sinais. Uma delas é o orgulho, a presunção. Assim como o amor naturalmente inspira outras virtudes, o orgulho, a presunção, naturalmente inspira vícios. Facilmente nos atrevemos a julgar os outros, somos preconceituosos, não temos disposição para compreender e nos falta empatia e compaixão. Esses e outros vícios costumam ser companheiros de um coração orgulhoso. Isso nos leva a manter distância das pessoas e Deus mantem-se distante de nós. Ele resiste aos soberbos (Tg 4.6)! E nessas condições, um abismo chama outro abismo. Devemos estar precavidos e ser cuidadosos. Devemos olhar com mais cuidado para nós mesmos e pedir a Deus que sonde o nosso coração (Sl 139.23-24). A parábola de Jesus também se dirige a nós. Devemos nos lembrar de que Deus não se ilude com palavras. Ele vê e lê os corações. Que a meditação do nosso coração seja agradável a Deus, tanto quanto as palavras de nossa boca (Sl 19.14).

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