Novos ventos

Longe, na linha reta do horizonte, podemos considerar os fatos que aconteceram nos últimos anos e refletir sobre eles. Ah, bem sei, estamos vivendo tempos inquietos, a mansa ordem da vida alterada na compressão do viver, vacina em conta gotas, fechamento da Ford no Brasil, a volta do lockdown na Europa, aumento da pobreza. Sinto vontade de romper esse momento surdo em que mergulhamos e que o relógio do mundo parasse de bater, e depois voltasse num ritmo mais lento e com mais racionalidade.

No Brasil, o pobre tem vida muito dura, e cada dia mais dura, mas ele encontra um momento de prazer na alma desta cidade de Salvador, que é nobre e grande sobretudo pelo que ela tem de leviana, de gratuita, inconsequente, boêmia e sentimental. Muito diferente da pobreza, por exemplo, em São Paulo, lá é cruel. Mas aqui vivemos a impaciência com a falta das festas de verão. Somos hóspedes neste ano do vírus e não  queremos ser destruído por ele, e a tudo isso somos sensíveis neste momento.

Mas, as vezes, tenho a sensação de que estou vivendo o irreal. Nada é o que se imagina, é  alarmante. As variáveis são muitas, vírus, lockdown, vacina, imunidade de rebanho, desemprego, auxílio emergencial, mortes.

Sendo a vida hoje uma enchente de traduções de anseios sombrios, acredito que nada pode ser ao mesmo tempo exato e seguro. Palavras frágeis foram largadas, na mídia, sobre o tecido grande e esticado de muitas vidas. A  esperança é cega vamos contar apenas as horas felizes e  ter esperança.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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