Meu pai ficou nove anos inconsciente. Corpo frágil, intubado às máquinas de viver, sob o suplício de agulhas e tubos, a quem a ciência nega um final digno, sob o pretexto de que se deve manter o alento a qualquer preço. Dói não poder ajudar a deixar este mundo e ser obrigado, pelo contrário, a retê-lo contra a vontade, agonizante, em sua cama.
Em algumas ocasiões, o tormento imposto a um enfermo torna-se insuportável. No refúgio dos lençóis, existe desespero. Por que não desligar os tubos e aliviar os padecimentos? Ele vai morrer de qualquer maneira, mais cedo ou mais tarde.
A morte, com sua ancestral carga de terror, é apenas o abandono de um invólucro que já não serve, enquanto o espírito se reintegra na energia única do cosmo. A agonia, como o nascimento, é uma etapa da viagem e merece a mesma misericórdia. Não há a menor virtude em prolongar os gemidos e temores de um corpo além do fim natural, e o trabalho do médico deve ser facilitar esse fim, em vez de contribuir para a pesada burocracia da morte. Mas tal decisão não pode depender apenas do discernimento dos profissionais ou da misericórdia dos parentes; é necessário que a lei estabeleça um critério.