Momento cego

Hoje é 14 de dezembro. Anoitece. Soube das mortes, de um advogado conhecido, além de Paulinho do Roupa Nova, no meio destes cento o oitenta mil vidas no vácuo do vírus. A noite se infiltra pelas árvores, pelas janelas, pela mente. Agora, aquele livro ficará para sempre marcado na mesma página do escritório de advocacia, e a poltrona vazia, e as músicas do Roupa Nova não terão mais shows ao vivo.

Estou agora em meu quarto e pela janela aberta vejo estrelas, penso nas crianças que tem os olhos limpos de memória como os olhos das bonecas, nada sabem ou sentem destes momentos marcantes da pandemia, talvez tenham apenas tristezas por não irem a escola. O que está errado é querer transmitir a essas vidas borbulhantes toda a gravidade triste do momento. Eles não prestam mais atenção à realidade, porque mais alto do que a realidade, colocam tudo no desfrute do momento. É a juventude a essência da energia do viver.

Os meus heróis estão morrendo e o vento que vem do mar é gelado. E o vento sempre trazendo novas mortes neste vai e vem das ondas, como a música de Lulu Santos “Nada do que foi será. De novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. A vida vem em ondas…”

Espero que as crianças de hoje tenham no futuro, uma onda de paz, amor e esperança, já que a nossa geração está deixando para trás muita dor, com as tempestades e os naufrágios nessa travessia do coronavírus. Queira Deus que suceda ainda em vida para a próxima geração a esperança e prosperidade.

*João é natural de Salvador, onde reside. Engenheiro civil e de segurança do trabalho, é perito da Justiça do Trabalho e Federal. Neste espaço, nos apresenta o mundo sob sua ótica. Acompanhe no site www.osollo.com.br.

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