Melhor Unidos que Partidos

      “É muito mais fácil corromper do que persuadir”, Sócrates (469 – 399 a.C)

 

Numa breve análise da estrutura partidária brasileira, pós- 1964, mais apropriadamente em sequência à redemocratização do País e à promulgação da Constituição de 1988, ressalta aos olhos de quem assiste as manobras e disputas pelo poder, a visão de um quadro crescente de organizações partidárias. Elas ora se unem oportunistamente em situações e causas comuns, ora se engalfinham em renhidas lutas pelo poder, a qualquer custo, em que o outro ou outros são demonizados, a qualquer tempo.

Uns se autopromovem como de esquerda, sinalizando como prioridade as questões do social. Afirmam que seus adversários, no campo político ideológico, ou são de direita, arraigados ao conservadorismo e voltados ao poder econômico e, portanto, às elites, ou possuem matizes de centro-esquerda ou de centro-direita, que, também, criticam com severidade. De um modo geral, reina verdadeira “antropofagia partidária”, porém em causa própria!

Nessa linha de raciocínio, até onde se estendem as concepções ideológicas das inúmeras instituições brasileiras, na atualidade, num quadro da ordem de 35 partidos em que, apenas, 28 têm representação numa Câmara composta por 513 deputados?

Segundo dados da Câmara, atualmente as 10 (dez) maiores agremiações partidárias, pós-eleição 2015, possuem, em ordem decrescente de grandeza, os seguintes números de representantes: 70, 66, 54, 37,36, 34, 34, 25, 22, 21, ou seja, 399 deputados. Os (dez) 10 menores partidos têm no todo 71 deputados (observam-se aí 3 partidos com apenas 1 deputado cada; 3 outros com apenas 2 deputados cada; e 2 partidos com apenas 3 deputados cada; e l partido com 4 deputados . Veja-se  o incrível contrassenso, existem outros 7 (sete) partidos sem nenhuma representação na Câmara!

Agora, faça-se uma análise, mesmo superficial, até pelo interesse mínimo de conhecimento sobre suas bandeiras, das suas pregações ideológicas, ou, dos conteúdos programáticos partidários, e o que se poderá aquilatar dos valores de cada um que busca, a ferro e fogo, o poder nacional, regional ou local? Observe-se que educação, saúde, segurança pública, emprego e renda, democracia, liberdade, justiça social, direitos humano, bem-estar social e desenvolvimento nacional, dentre tantas outras pregações, constam dos ideários de cada uma dessas agremiações, e por que não afirmar-se, de todas elas!

Por que não se propõe reunir no Brasil as nominadas “correntes” partidárias de esquerda, direita, centro, centro esquerda e centro direita, a exemplo do que ocorre em  países como Japão, França, Itália, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e outros  que possuem, em media, duas, três  ou pouco mais fortes  e atuantes representações partidárias,  que abrigam as diversas, combalidas e controversas  ideologias, dando-lhes perfis de atualidade e bom senso?!

Agora, imagine-se a formação da juventude brasileira frente a tanta demonstração de ânsia dos 35 partidos pelo poder político, por maior ou menor que seja a fatia; cada qual dono da verdade dele exclusiva, apregoando princípios que não aplica; da falsa experiência na coisa pública, atualmente reclamada pelos brasileiros, tantas as deformações de condutas até então evidenciadas.

No atual contexto nacional, servem muito mais “ao balcão de negócios”, às barganhas e espúrias coligações e, em consequência, desservem ao País! Educação política, hoje no Brasil, é uma das palavras de ordem, principiando pelas necessidades de mudanças para o futuro.

Inicie-se formulando o quantum necessário de agremiações, e já que todas apregoam o mesmo ideário, reduza-se o número, sem perda da qualidade tão solenemente proclamada. Aí a juventude – inegavelmente, o futuro do Brasil -, perceberá o quanto melhor unidos do que partidos se fará necessário, na concepção de um amanhã de grandeza, sem sofismas e de indesejáveis paralelismos como os atualmente existentes.

 

 

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