Médicos de hospital baiano estão sem salário há meses; há relatos de demissões

Médicos de hospital baiano estão sem salário há meses; há relatos de demissões
Médicos de hospital baiano estão sem salário há meses; há relatos de demissões. Foto: Ascom

Os médicos e demais profissionais de saúde que atuam na assistência do Hospital Geral Prado Valadares (HGPV), do Governo do Estado, em Jequié, e que possuem vínculo através da empresa SM Gestão Hospitalar, estão trabalhando sem receber seus vencimentos desde outubro de 2020, acumulando quatro meses sem pagamento.

Em reunião com o Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed) e representantes do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), quarta-feira (3), 50 médicos da unidade informaram que irão aguardar retorno dos gestores dos contratos, havendo possibilidade de paralisação futura, tendo em vista as dificuldades financeiras após meses sem remuneração.

Para buscar a normalização do pagamento, o Cremeb enviou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) um ofício informando ao órgão sobre a crítica situação dos profissionais do HGPV em 13 de janeiro. O teor foi repassado também ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), em ofício enviado  dia 5.

Segundo a empresa SM Gestão Hospitalar, terceirizada para gerir parte dos contratos da unidade, o atraso salarial acontece pelo repasse incompleto de recursos pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), que por sua vez, informou já ter transferido todos os valores para a empresa gestora do contrato.

Caso a situação não se resolva, pacientes de dezenas de municípios próximos a Jequié podem ficar sem atendimento na região e necessitar Regulação para outros hospitais. “Devido ao perfil do Hospital, que atende emergências, realiza grandes cirurgias e possui uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Geral e para portadores da Covid-19, dentre outros procedimentos, uma redução significativa no quadro de médicos pode resultar no fechamento de serviços inteiros, pois atendimentos de alta complexidade não conseguem ser realizados com equipes desfalcadas”, explica o vice-presidente do Cremeb e conselheiro federal, Dr. Julio Braga.

Outra situação relatada pelo corpo clínico é referente ao aviso prévio contratual, de apenas dez dias, insuficientes para adequação da escala após algum médico pedir desligamento, e distante do praticado em contratos trabalhistas. Para solucionar os atrasos, um acordo com a empresa gestora foi firmado em dezembro do ano passado, porém o pagamento não aconteceu até o presente mês (fevereiro).

Os médicos relataram também a preocupação de não prejudicar a assistência na região e se comprometeram a alertar toda a população, prefeitura, Sesab, MPT, MP-BA, Central Estadual de Regulação e demais órgãos necessários, antes de abandonarem seus postos de trabalho.

Representaram o Cremeb na reunião os conselheiros Julio Braga (vice-presidente), Otávio Marambaia, Cristina Gravatá, Plínio Sodré e Aline Guimarães. Pelo Sindimed, participaram a presidente Ana Rita de Luna, e o advogado da instituição.

Informações desta terça-feira, 9, não confirmadas oficialmente, dão conta de que especialistas de cardiologia, ecocardiograma, urologia e cirurgia vascular já pediram demissão da Unidade.

Informações: Cremeb

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