Livres, porque somos amados!

“Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus.” (1 Pedro 2.16)

Viver como pessoa livre é essencial para nossa fé. Na espiritualidade cristã não há lugar para escravidão. Refiro-me àquela em que somos subjugados, dominados, forçados por ameaças ou sedução. O pecado faz isso! Jesus disse aos fariseus que todo aquele que vive pecando é escravo do pecado (Jo 8.34). A ideia nestas palavras de Jesus é a de que, todo aquele cuja vida está condicionada pelo pecado, pela distância de Deus e contradição de Sua vontade, é escravo do pecado. Mas neste mesmo encontro Jesus disse a eles que aqueles que vivem como Seus discípulos tornam-se conhecedores da verdade e assim são libertos pela verdade. E a verdade libertadora é a verdade do amor de Deus. Ela é a mãe de todas as verdades que nos chegam pelo Espírito Santo. A Bíblia fala de sermos escravos de Cristo (doulos), mas o significado dessa expressão nada tem a ver com a escravidão do pecado. É uma que acontece a partir da liberdade. Por isso, totalmente outra, totalmente diferente. E se surge da liberdade é porque é motivada pelo amor. Um amor que dedicamos a Deus porque Ele nos libertou, amando-nos.

Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito. E assim, todo que crê nesse Filho tem vida eterna (Jo 3.16). Crer no Filho de Deus é crer no amor de Deus. E quando cremos em Jesus recebemos a benção de nos tornamos filhos de Deus (Jo 1.12). Em sua carta, na primeira, João reafirma sua certeza de que isso, ser filho de Deus, é obra do grande amor que Deus revelou ter por nós (1 Jo 3.1). Só é possível experimentar a liberdade de que Pedro fala no verso de hoje se experimentamos o amor que nos faz livres e filhos. Muitos vivem uma fé sem a experiência do amor. Uma fé pesada e que nos enrijece. Muitos, mesmo entre os que estão dentro da igreja esforçando-se para obedecer a Deus, em lugar de liberdade, carregam o peso da escravidão. O medo de serem rejeitados. O medo de perderem a bênção. O medo de caírem nas Mãos de Deus. O medo de falarem, agirem ou se comportarem de um modo reprovável por Deus e não terem tempo de arrependerem-se e, com isso, perderem a salvação. Tudo isso é estranho ao Evangelho!

Há muitas pessoas alcançadas e reconciliadas com Deus por meio de Cristo, que vivem como se ainda não o fossem. Olham mais para si mesmas que para Deus. Querem melhorar a si mesmas para atrair a bondade de Deus, como se esse fosse um caminho possível. Uma grande tolice espiritual. Um tipo de engano alimentado por satanás. Um tipo de comportamento que tem aparência de virtuoso, mas é vicioso. Se quisermos agradar a Deus é preciso primeiro aceitar completamente Seu amor. Assumir-se completamente com filho de Deus pela graça de Cristo. É preciso crer e experimentar a abundante graça que tudo cobre! É preciso crer numa aceitação sem qualquer merecimento. É preciso deixar-se envolver pelo amor de Deus e ser por Ele liberto. E, uma vez livres, aí sim poderemos escolher, pela primeira vez, a quem servir. E serviremos Aquele que nos amou e morreu por nós. Parece apenas um detalhe. Mas no Evangelho de Jesus a ordem desses fatores altera completamente o produto! Pode soar apenas como semântica, mas é uma lei espiritual. Transgredi-la é desviar-se, acreditando que se está no caminho!

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