Lídice diz que uso de droga deve ser tratado como caso de saúde pública

Foto: Samuel Celestino
De acordo com a parlamentar, o tema foi travado durante as eleições como sendo um dos grandes problemas da nação, mas não foi discutido como realmente merecia

A deputada federal e senadora eleita, Lídice da Mata (PSB), disse ontem (03/11) durante o Seminário Internacional “O uso e usuário de álcool e outras drogas na contemporaneidade”, promovido pelo Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad), que os estudos e pesquisas desenvolvidos pelo Centro devem buscar responder e sensibilizar os governos para uma nova visão sobre a questão das drogas na Bahia e Brasil, apontando caminhos para redução dos danos e indicadores de consumo.

De acordo com a parlamentar, o tema foi travado durante as eleições como sendo um dos grandes problemas da nação, mas não foi discutido como realmente merecia. Segundo ela, o uso de drogas não deve ser encarado como um problema de segurança público e sim como um caso de saúde pública. “Antes a questão aparecia em outra vertente dentro do assunto violência e segurança pública, e a pauta da rua, vem para a política de forma distorcida”, analisa.

Para a deputada a contribuição do Seminário e do Cetad vem justamente para auxiliar os governos na elaboração de políticas para a população mais vulneráveis do país. Para se ter uma idéia do panorama das drogas no Brasil estima-se que cerca de um milhão de pessoas sejam usuários do crack, a mais devastadora das substâncias psicotrópicas.

O coordenador do Cetad, Antônio Nery, defende uma novo olhar da sociedade sobre os usuários de substâncias pscotrópicas, e disse que o interesse das discussões não deve ser nas drogas, mas no atendimento às pessoas, “sempre haverá um novo produto e o trabalho de prevenção não deve ser a arma e a polícia, é preciso levar as pessoas a se restaurarem”. Segundo ele a complexidade da questão está intimamente ligada à existência humana. “Sempre haverá na alma espaço para aplacar a dor de não ser imortal”, filosofa.

O coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, também acredita que a intolerância e a criminalização não são o caminho ideal para o combate às drogas. Para fundamentar o argumento lembra a resolução da ONU em 1998 com o plano internacional para o enfrentamento, que previa erradicar em 10 anos as drogas no mundo, e houve o endurecimento da legislação contra as drogas. “ Os trabalhos baseados na intolerância e criminalização não produzem uma política clínica eficiente”, observa .

A coordenadora do Núcleo de Estudos Avançados sobre Álcool e outras Drogas do Cetad, Maria Luiza Mota Miranda, afirmou em seu discurso na abertura do seminário que “o uso de drogas está em sintonia com o desenvolvimento contemporâneo, é o hedonismo da sociedade moderna”. E vai mais além ao criticar a generalização das drogas à uma condição tóxica. Segundo ela é preciso uma discussão ética e política sobre o tema. “Não há notícias históricas de uma sociedade sem drogas”, completa.

Ao final do evento realizado na Reitoria da UFBa, o professor Antônio Nery agradeceu o apoio que a deputada Lídice da Mata vem dando ao longo do tempo ao Cetad destinando emendas para o aprimoramento dos serviços prestado e destacou ainda que o Seminário estava sendo realizado graças aos recursos obtidos por meio de emenda parlamentar da deputada.

Fonte: Ascom da deputada Lídice da Mata

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