Lábios e coração

“Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mateus 15.8)

Para Deus é simples e claro saber quando há uma distância entre nossos lábios e nosso coração. Para nós percebermos isso uns nos outros é mais complicado. Mas quando descobrimos, normalmente é algo doloroso e decepcionante. Podemos agir dessa maneira inadequada em diversos campos da vida. E agimos assim até mesmo em nossa espiritualidade. E é justamente disso que Jesus está falando, relembrado as palavras dos profetas. Neste caso os enganados sempre seremos nós e não Deus. Pensaremos que estamos indo muito bem em nossa espiritualidade e até nos orgulharemos de nossa devoção, mas na verdade haverá pobreza espiritual e engano. Nas cartas às igrejas, nos capítulos iniciais do Apocalipse, temos esse quadro muito bem exemplificado. Alguém que pensa ser rico, mas é na verdade pobre. Pensa que vê mas é cego. Pensa estar vestido, mas está nu.

Os fariseus foram muitas vezes criticados por Jesus devido a essa dissonância. Eles pensavam ser quem não eram espiritualmente. Seus lábios sacralizavam a vida e seus corações eram cheios de coisas que a profanavam. Eles tiveram muita dificuldade em reconhecer isso. Os Evangelhos nos dão muito pouca pista de que alguns deles tenham sido quebrantados. Devemos ter cuidado, pois não somos imunes a este mal e um de seus sintomas é a cegueira que não nos deixa perceber a contradição. Passamos a ver muito pouco e equivocadamente. A nós mesmos e ao nosso próximo. Normalmente veremos muito claramente o cisco do olho do nosso irmão e não veremos ou sentiremos o tijolo em nosso próprio olho!

Como evitar esse mal? Devemos nos exercitar no autoexame e no exame do alto. Devemos nos ouvir e refletir, perceber se não estamos cantando, citando e lendo verdades que acabam ausentes de nossa vida. Devemos considerar o tipo de ser humano que somos e estamos nos tornando, especialmente na relação com os outros. Devemos medir nossa espiritualidade pelo amor a Deus e às pessoas. E em meio a tudo isso orar pedindo que Deus nos sonde, nos faça ver se o mal nos habita e nos engana. Devemos pedir mais que a vontade dele seja feita e que nós sejamos livres do mal e ajudados a superar tentações. Assim, estaremos livres de nos tornar aqueles cujos lábios honram a Deus mas o coração mantem-se longe dele.

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