Irmão da prefeita de Itanhém amarra cachorro no carro e arrasta até a morte; população se revolta

Imagem mostra animal sendo arrastado. Foto: reprodução

Manoel Batista dos Santos Júnior, de 32 anos, irmão mais novo da prefeita de Itanhém, Zulma Pinheiro (MDB), foi flagrado por câmeras de videomonitoramento na noite do último dia 12, arrastando um cachorro até a morte, em Jaguaré, no norte do Espírito Santo.

O crime foi registrado por câmeras de segurança de um condomínio e as imagens mostram o veículo do suspeito passando pela rua arrastando o cão, amarrado à traseira do carro. O animal tenta correr, mas não consegue acompanhar a velocidade do veículo.

Algum tempo depois, outro vídeo mostra o cachorro já morto. O motorista desce, pula por cima do animal e corta a corda que o prendia pelo pescoço. Em seguida, entra no veículo e vai embora. 

O caso foi denunciado por Suely Izabel Dalvi, presidente de uma ONG que resgata animais abandonados. Ela disse que ficou chocada e revoltada com a cena.

“Em pleno feriado do Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida foi flagrada pelas câmeras de segurança de uma residência no centro de Jaguaré essa barbaridade. É uma crueldade do ser humano. Imagine o que esse cachorro não passou, sendo enforcado, arrastado vivo. Então que sirva de exemplo para as outras pessoas terem um cuidado maior e respeitar os animais da forma que eles merecem ser respeitados”, lamentou.

A presidente da ONG conta que o cachorro vivia na rua e era conhecido na cidade. Disse ainda que ele recebia água e comida de moradores e comerciantes.

“O animal é um ser inocente, não tem maldade. Eu não sei o porquê, o que motivou ele a fazer esse crime. Então ele tem que responder sim”, afirmou.

No dia seguinte, após o crime, enquanto Suely fazia o boletim de ocorrência, o homem apareceu na delegacia procurando ajuda e acabou detido.

“A população esvaziou os pneus do carro dele para ele não fugir. Por medo de ser linchado ou apanhar, ele procurou ajuda e acabou parando na delegacia”, disse a presidente da ONG.

De acordo com o chefe da 18ª Delegacia Regional de São Mateus, delegado Leonardo Malacarne, o acusado alegou que sua intenção era sacrificar o cachorro, já que, segundo ele, o animal aparentava estar doente e com fome.

O delegado disse que não acredita nessa versão e explicou que, mesmo que ela seja verdadeira, não justifica o crime.

Após ser detido e encaminhado para a Delegacia Regional de São Mateus, município vizinho a Jaguaré, ele prestou depoimento e foi encaminhado para o presídio da cidade.

População lamenta

A empresária Claudia Rodrigues foi a primeira pessoa a ver os vídeos que mostram o crime. “Fiquei horrorizada na hora. Falei ‘Meu Deus do céu, o que é isso? Isso não pode estar acontecendo’. Fiquei paralisada na hora”, disse.

O comerciante Daniel Fernando de Oliveira mora na rua onde o cachorro foi deixado morto. Ele tem uma loja na região e costumava deixa alimento e água para o animal.

“Ele sempre passava em frente à loja. Ali tem pote de ração, em Jaguaré o pessoal faz muito isso para animais de rua. Eles se alimentam ali. Esse, em especial, passava quase todo dia. E acontece uma fatalidade dessa, revolta todo mundo”, lamentou.

A presidente da ONG de Proteção a Cães de Jaguaré, Suely Izabel Dalvi, espera que o suspeito seja devidamente punido pela crueldade. “Não sei como um ser humano tem a capacidade de fazer isso com um animal inocente. Ficamos todos revoltados e só esperamos que ele pague pelo crime que ele cometeu”, disse.

Nova legislação

O presidente Jair Bolsonaro sancionou no dia 29 de setembro a lei que estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão para quem praticar atos de abuso, maus-tratos ou violência contra cães e gatos.

O texto também prevê multa e proibição da guarda para quem praticar os atos contra esses animais.

A alteração foi feita na Lei de Crimes Ambientais. A legislação previa pena menor, de três meses a um ano de detenção, para quem pratica os atos contra animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Com informações do Água Preta News, Folha Vitória e Apipa Piauí.

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