Inverno

Somos todos escravos de circunstâncias externas, e neste início do inverno que vai subitamente entrando, mostrando um escurecer prematuro, com um friozinho, lembro do  vasto céu estrelado da beleza do São João no interior. Repasso na mente os momentos ali vividos.

Existia o silêncio das zonas rurais. Estava vivendo com os nativos do interior, aquele clima gostoso com o brilho de celebração,  pois era jovem, estava com meus pais, avô e primos. Esta interação que só acontecia em junho, no início do inverno, foi marcante. Todos respiravam ar fresco e limpo e éramos premiados e surpreendidos pela esmagadora vastidão da paisagem rural. Era o espaço que impressionava primeiro. O tamanho, o suficiente para se afogar nele. Olhar para fora e não ver uma alma viva entre si e o horizonte podia ser estranho e alarmante. Não precisava lidar com os engarrafamentos diários de ida e vinda do trabalho, mas tampouco tinha aonde ir de carro. E existia uma espécie de qualidade ingênua e despreocupada que identificava nos moradores da pequena cidade. Minha adolescência havia sido um longo e tranquilo rio. Totalmente ancorada à realidade em momentos bons.

Meu pai, no auge dos quarenta, o olhar vivo, a pele bronzeada, a mandíbula firme, tinha uma certa segurança, uma vontade de agir e de seguir em frente.

O inverno ali se dissipava rapidamente, mas o cheiro fresco do sertão invadia minhas  narinas. À luz do dia era possível enxergar a trilha esguia com a terra batida até  a sombra do tamarineiro centenário atrás do Chalé, onde parávamos na sua sombra.. Não vejo o filme destes momentos em ritmo acelerado a cena se desenrola em câmara lenta.

Nota: O conteúdo aqui publicado é de inteira responsabilidade do colunista que assina o texto.

Comente!

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui