Insensibilidade na demolição das barracas de praia de Salvador

As imagens que a televisão mostrou recentemente, na orla de Salvador, quando pesadas máquinas demoliram centenas de cabanas de praia, revelam, entre outros absurdos, uma imensa e flagrante insensibilidade das autoridades coatoras.

Nenhuma lei, por mais rigorosa que seja pode desconsiderar os aspectos humanos que tais atitudes encerram.

Defender o Meio Ambiente é uma coisa, suprimir abruptamente o sustento e o emprego de milhares de pessoas e destruir, em minutos, um patrimônio adquirido há decênios, a duras penas, com a anuência das autoridades, é outra muito diferente, meus senhores.

O episódio revela também a falta de um líder político de peso na Bahia, atualmente órfã de pai-e-mãe dessa figura singular. Ao mesmo tempo mostra a falta de mobilização do setor turístico- praiano, tais como: proprietários de cabanas, funcionários, amigos e freqüentadores.

.Em outras cidades do país, com certeza eles já estariam nas ruas protestando com veemência, obstruindo estradas e prédios, para preservar aquilo que lhes é mais caro e sagrado: o episódio lembra o ninho das aves, cuja destruição leva-os ao desespero e uma imensa tristeza. –

Concluindo, lembro que essa esdrúxula e intempestiva decisão judicial fere de morte o turismo baiano, que encontra suporte nesses pontos, (a maioria funcionando de acordo com as normas sanitárias) para o seu lazer, divertimento sadio e alimentação. Os motivos frágeis alegados, como preservação de restinga (que, em muitos casos, nunca existiram) e outros igualmente inconsistentes, jamais poderão se sobrepor aos aspectos humanísticos da questão.

Isso é, indubitavelmente, uma insensibilidade elevada ao quadrado.

Edmar Campelo Costa é escritor, advogado e ambientalista. Há mais de 40 anos defende, com veemência, a natureza e o Meio Ambiente em seus livros e artigos.

 

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