Idiotas, Até Quando?

“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência, ” Karl Max (1818-1883).

O Brasil da atualidade, com os seus mais de 207.000.000 (duzentos e sete milhões) de habitantes, apresenta-se ao mundo com inúmeras singularidades: ora como uma das mais pujantes economias em desenvolvimento; ora simbolizado como a terra dos carnavais e a “pátria das chuteiras”, outrora já afirmado pelo jornalista Nelson Rodrigues, de saudosa memória.

Uma a mais é relativa ao seu Colégio Eleitoral, gigantesco, que se estende a 5.568 municípios e que, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com dados atualizados até 28/9/2016, compreendia 144.088.912 eleitores, sendo 48% do sexo masculino e 52% do sexo feminino.

Nesse quadro de eleitores, afirma o TSE, 6,61% possuíam, como Grau de Instrução, o Superior Completo; e 4,13% o Superior Incompleto. Que 19,01% eram portadores do Ensino Médio Completo e 7,02%  do Ensino Médio Incompleto. Com o Grau do Ensino Fundamental Completo o total era de 28,58% e que 10,74% perfaziam o somatório daqueles com o Ensino Fundamental Incompleto, acrescentado dos que apenas leem e escrevem. Os analfabetos correspondiam a 4,85%.

Anteriormente, no segundo turno da eleição presidencial de 2014, segundo o TSE, havia à época um Colégio Eleitoral de 142.822,046 eleitores, no entanto apenas compareceram 112,683, 879, ou seja, 78,9% daquele total. Os votos em branco foram da ordem de 1.921.819 (1,71%); e os votos nulos corresponderam a 5.219,787 (4,63%) do total que compareceu.

Tendo-se em vista as variáveis representadas ora pelos Graus de Instrução revelados pelo TSE, em 2016, e ora pelos votantes de 2014, em que tão somente 78,9% compareceram àquele pleito, resultando em consequência mais de 30.000.000 (trinta milhões) de absenteísmo, outros 5.000.000 (cinco milhões) anularam os votos e quase 2.000.000 (dois milhões) votaram em branco, o que especular no plano do interesse, da participação democrática, da consciência cidadã e da formação crítica que se espera inerente à educação oferecida na Terra das Palmeiras e dos Papagaios aos seus eleitores? Ou seja, 37.000.0000 (trinta e sete milhões) de votos, ralo abaixo!

Assim, há que se questionar: é a ignorância do brasileiro em face o significado do processo democrático da eleição; é a incapacidade intelectiva de reflexão e escolha; é o desalento com a representação política então vigente e as prementes necessidades sociais não atendidas, dentre tantas outras questões? Ou será que grande parte do eleitorado é alienado, carente de formação política, portanto despreparado para escolhas apropriadas, comportando-se à semelhança de palermas, estúpidos, ineptos, ignorantes e quem sabe, numa palavra, idiotas?

Ou será a residual continuidade histórica colonialista dos idos de 1500, que perpassa ao longo das eras o inconsciente nacional e se estende à atualidade, com suas consequências funestas terceirosmundistas, fazendo dos brasileiros verdadeiros idiotas?

Quando se fala em idiotas, só para contextualizar o termo, na antiguidade aquele indivíduo da polis grega que não exercia cargo público,ou representação oficial, por ser considerado pessoa comum, sem nada de especial que o recomendasse para encargos da administração, vez que dedicado aos afazeres de pessoa privada, era considerado idiota, não recebendo em consequência missões oficiais, de representação, e, assim não participava, votava ou era escolhido (Grifo do Autor).

Da origem grega idiotes e, daí, para o latim idiota, com a raiz “idios” significando peculiar, próprio ou particular o que, em linhas gerais, possuem o mesmo conceito, verifica-se com o passar dos tempos, que o termo adquire novos significados, como atribuído à pessoa de pouca valia e pouca formação, inteligência e cultura discutíveis, ignorante, firmando-se assim o seu conceito atual que deslustra e/ou marginaliza socialmente a pessoa humana (Idem).

Dentro de mais um ano, em 2018, o Brasil escolherá o seu destino em futuras eleições. Neste momento, parafraseando o grande orador Cícero, em suas Catilinárias “Quosque tandem abutere patientia nostra?” (Até quando abusarás de nossa paciência?), há que se perguntar aos milhões e milhões de brasileiros sobre o amanhã.  Há os participantes, desejosos de um futuro decente, socialmente ajustado aos ditames dos direitos humanos e da harmonia social, em que as riquezas nacionais sirvam para alavancar o País na trilha do desenvolvimento econômico, político e social, e por isso estão a inquirir: até quando o quadro de omissões descrito prevalecerá?

Reflita-se, pois, quem viver e participar será o transformador da historia!

 

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