Governo Federal vai liberar R$ 500 mil para o projeto da Cachaça Água Fria

Alambique. Foto: Ascom do Sebrae
Itanhém – O Ministério da Integração Nacional confirmou na semana passada ter acatado o envio de documentação, feito pela Prefeitura de Itanhém, no extremo sul baiano, para o investimento de R$ 500 mil para finalizar a obra da unidade de beneficiamento, análises laboratoriais, armazenamento, envelhecimento, envase e expedição da Cachaça Água Fria, pertencente à Cooperativa dos Fabricantes de Cachaça do Extremo Sul (Coofcaes). A expectativa é que os recursos sejam liberados entre março e abril deste ano.

O projeto surgiu em 2004, a partir da Mesovales, e tem como parceiros o Sebrae, Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e Prefeitura de Itanhém. O investimento dos recursos será feito em urbanização, adequação e conclusão dos quatro módulos edificados na área do projeto, em Itanhém. O primeiro módulo inclui recepção, laboratório e blendagem. O segundo, a administração. No terceiro módulo fica o envelhecimento e, no quarto, o armazenamento da cachaça.

Serão beneficiados 33 produtores rurais cooperados e agricultores familiares. Desde maio de 2008, o Sebrae vem realizando encontros entre eles, com o objetivo de promover a cultura da cooperação e conquistar o mercado.

“A iniciativa da Coofcaes, com a Cachaça Água Fria, efetiva uma antiga necessidade do extremo sul, vocacionado para a produção de cachaça de qualidade, em ter o seu produto acessando o mercado formal”, explica o gestor do projeto, Paulo Mesquita. “Com a finalização das obras da unidade central de beneficiamento de cachaça e a adequação de alambiques no seu entorno, isso será possível, acarretando no desenvolvimento da economia local e dos pequenos negócios”, resume.

A presidente da Coofcaes, Enedina Azevedo, diz que o dinheiro chega em boa hora. “Há muitas coisas que precisam ser feitas ainda na unidade. Cada um dos cooperados deu o que podia de seus próprios recursos, que já não são muitos. Estamos com muita expectativa para lançar a cachaça logo no mercado”, resume ela, revelando que já há muita procura pela aguardente, que não pode ser comercializada por que ainda não está com o registro pronto.

Segundo Enedina, se o dinheiro for mesmo liberado em março, na totalidade, a inauguração da unidade poderá ser feita logo depois de julho. O produtor rural cooperado Fábio Leonel acredita que a cachaça Água Fria será um sucesso. “Trabalhamos duro para ver esse projeto concretizado e agora parece que tudo vai dar certo”, avalia.

Cachaça é produto tradicional da Bahia

Na Bahia, os derivados de cana-de-açúcar são produtos tradicionais, principalmente a cachaça e a rapadura, produzidos desde o século XVI. Inicialmente essa produção ocorria mais no litoral, principalmente no Recôncavo, nas proximidades da capital da Colônia, de onde é possível ter se originado a cachaça. Depois foi se expandindo para as demais regiões, de modo que, atualmente, mais de 120 municípios baianos são produtores de um ou de ambos esses produtos.

Em 2004, o Sebrae fez um diagnóstico sobre os derivados da cana-de-açúcar na Bahia que mostrou uma realidade preocupante, sobretudo em relação aos miniprodutores. Suas características gerais e predominantes eram baixo nível de escolaridade; renda familiar inferior a dois salários mínimos; nível tecnológico simples; instalações rudimentares; e informalidade de quase todos os estabelecimentos, entre outras.

Mais recentemente, o governo Federal, por intermédio do Ministério da Integração Nacional, criou a Mesovales – Agência para o Desenvolvimento das Áreas Situadas entre os Rios Jequitinhonha e Mucuri, nos Estados da Bahia (Extremo Sul), Minas Gerais e Espírito Santo. Entre os diversos projetos prioritários contemplados nesse programa, está o de desenvolvimento da cachaça. Inicialmente foi contemplada uma unidade comunitária de armazenagem, padronização, envelhecimento e envase de cachaça para produtores localizados em Itanhém e municípios vizinhos.

A Coofcaes é uma cooperativa exclusiva para produtores de cachaça, com sede em Itanhém, com cooperados localizados neste município e em Medeiros Neto, Mucuri, Lajedão e Nova Viçosa, na Bahia, e em Carlos Chagas e Nanuque, em Minas Gerais.

Atualmente, a cooperativa está com 33 cooperados distribuídos nesses municípios e tem como objetivo desenvolver a atividade de produção de cachaça de alambique, formalizar a atividade e buscar novos mercados. Entre suas metas está a construção de unidade central para armazenagem, envelhecimento e envase de cachaça.

Para atingir seus objetivos, a Coofcaes, por orientação de técnicos do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e Sebrae, verificou a necessidade de melhorar, adaptar ou mesmo refazer as unidades de produção de seus cooperados, visando o registro dos estabelecimentos no Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento. O Sebrae e o IEL verificaram a necessidade de ter o conhecimento da realidade de cada cooperado, para elaborar planos de atuação no setor.

Fonte: Débora Vicentini/Ascom do Sebrae

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