A satisfação do Ministério Público em conceder o prêmio ao artista reconhecido internacionalmente foi registrada nas palavras do procurador-geral de Justiça, que é o chanceler da honraria. “Este prêmio retrata os melhores valores, que você também representa através da sua arte e do seu trabalho”, assinalou Wellington César, destacando que o significado da homenagem cresceu ainda mais para o MP a partir do momento em que Frans declarou que, das sete medalhas que já recebeu, apenas a que lhe foi concedida hoje e a da guerra o emocionaram tanto. “A luta continua, o meu trabalho continua”, frisou o escultor, que chegou ao Brasil após ter enfrentado os horrores da Segunda Guerra Mundial, atuando nas forças de libertação contra o nazifacismo, para quem perdeu toda a sua família. Ele foi naturalizado brasileiro em 1954 e, após passagens por São Paulo, Rio de Janeiro e Pará, estabeleceu-se no município baiano de Nova Viçosa, onde construiu seu ateliê e moradia.
Wellington César destacou ainda que o prêmio foi concedido por indicação do promotor de Justiça Ambiental da Regional de Teixeira de Freitas, Fábio Corrêa, que sentiu de perto a força do trabalho e o magnetismo do escultor. A luta de Frans foi reconhecida pela Comissão de Outorga do Prêmio e referendada pelo Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça, complementou o PGJ, ressaltando que tudo isso faz perceber que a medalha não é a oferta de uma só pessoa, mas de uma instituição. O prêmio é muito significativo para o MP porque Calmon de Passos foi, talvez, o nome mais emblemático da Bahia. “Ele tornou adversidade em matéria prima para o talento e para força, assim como você, Frans. Por isso, é um privilégio ter aqui uma personalidade do mundo, recebendo uma medalha que, em sua última edição, foi concedida ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro aposentado Carlos Ayres Brito”, concluiu o procurador-geral. Emocionado, Frans agradeceu ao MP e aos presentes na solenidade e, aos 93 anos de idade, informou que ainda este ano fará uma exposição em Munique, outra em Nova York e que já tem planos para os próximos anos.
Prestigiando a cerimônia, o governador Jaques Wagner destacou que o escultor merece o reconhecimento de instituições como o Ministério Público, que tem como uma das suas missões a defesa dos interesses difusos da sociedade, como a defesa do meio ambiente. Frans é um estímulo para todos nós, disse ele, informando que o Governo do Estado viabilizará a construção de um museu para abrigar as obras do escultor, que já doou o seu patrimônio ao Estado da Bahia. Ao longo da carreira, Frans Krajcberg denunciou crimes ambientais, como queimadas, assassinatos de índios, exploração irregular de minérios e o desmatamento da Amazônia. Em Nova Viçosa, defendeu tartarugas marinhas em período de desova e baleias jubartes que visitam o local. Ele já recebeu o prêmio da Bienal de Arte do Brasil e de Veneza e, em 2012, venceu o Grande Prêmio de Enku, no Japão, como melhor escultor do mundo. Também parcitiparam do evento a primeira dama do Estado, Fátima Mendonça; o membro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Jarbas Soares; o cônsul da Holanda em Salvador, Egbert Bloemsma; o diretor da Escola de Magistrados da Bahia, desembargador Jatahy Fonseca Junior; o corregedor-geral do MP, Franklin Ourives; o secretário de Cultura do Estado, Albino Rubim; agentes públicos e cidadãos de Nova Viçosa; artistas plásticos; dentres outras personalidades.
Fonte: MP BA