Fé, necessidades e amor

“O filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar.” (Lucas 15.21-23)

Jesus está contando a parábola dos dois filhos. O mais jovem, que pediu sua parte na herança e abandonou o pai, agora está de voltando. Ele perdeu tudo. Perdeu sua herança e sua dignidade. Acreditou que estava pronto para a vida, que poderia tirar o melhor dela, mas acabou na pior. Conheceu a solidão e a falta de amor. Mas lembrou-se da bondade de seu pai, de como tratava tão bem os empregados, e desejou ser um deles. Sua necessidade o levou de volta para casa. Seu socorro era seu pai, de quem agora precisa muito, mas a quem ainda não amava. Esperava convencer seu pai a aceita-lo como empregado. E seu pai esperava por ele, cheio de amor.

Você consegue nos ver nesse filho e a Deus, nesse pai? Pois Jesus está falando de nós e de Deus. Nós na pele daquele filho que só enxergava “seus direitos” e vivia guiado por “suas necessidades”. Necessidades são, naturalmente, as motivações que nos levam a Deus. Desejamos o que Ele tem e queremos nos beneficiar de Seu poder. Quando tudo está bem nossa relação com Deus tende à superficialidade. Nosso fervor e devoção parecem depender de nossas aflições, que por sua vez produzem uma grande fé interesseira! Era para Deus se ofender, mas Ele demonstra paciência. Tema a mesma atitude do pai que ainda vê um filho naquele que nem mesmo se vê como gente e deseja comer com os porcos.

Nosso lugar para Deus é definido por Seu grande amor por nós. Ele sabe o quanto precisamos dele e o quando não merecemos Seu cuidado, mas nos ama! O filho pensava que precisava de pão, mas o pai sabia que ele precisa de muito mais que isso – precisava de um lar. Você consegue ver a si mesmo nessa história? Consegue entender melhor o lugar do amor em sua fé? Ser um religioso é uma questão de fé. E religiosos facilmente nutrem uma fé interesseira. Mas ser um cristão é uma questão de fé e de amor! E a fé amorosa normalmente é bem mais frágil que a interesseira, mas é que honra a Deus. É a fé entre Pai e filho. A fé de quem entendeu e correspondeu ao abraço amoroso e inesperado do Pai.

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